São Paulo – Ministros do Comércio dos países da África e da América do Sul se reuniram na semana passada em Marrakesh, no Marrocos, para discutir um plano de cooperação na área comercial. A delegação brasileira foi chefiada pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho. O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, acompanhou o evento.
Segundo Alaby, entre os principais pontos da declaração final assinada pelos ministros está a busca pelo aumento dos produtos que integram a lista de preferências tarifárias do Sistema Geral de Preferências Comerciais (SGPC). “O Brasil está disposto a liberalizar praticamente tudo o que [os países africanos] pediram, tendo como contrapartida conseguir a abertura de mercados na África”, disse.
O documento registra o apoio dos participantes aos esforços para ampliar o comércio bi-regional, inclusive com a assinatura de acordos comerciais entre países das duas regiões.
Na mesma linha, os ministros concordaram que é preciso desatar as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e assumiram o compromisso de aprofundar a chamada cooperação Sul-Sul, lançando mão das complementaridades existentes entre as economias africanas e sul-americanas.
Ainda nesse sentido, a declaração diz que os participantes devem se comprometer com a entrada na OMC dos países menos desenvolvidos e trabalhar para que os organismos e fundos multilaterais ajudem financeiramente as nações mais pobres das duas regiões. Os ministros pedem solidariedade aos países que estão sofrendo com alta dos preços das matérias-primas, especialmente dos alimentos.
O documento pede também que os países desenvolvidos removam todas as barreiras ao comércio internacional e, especialmente, acabem com os subsídios que distorcem as relações comerciais principalmente na área agrícola.
“Eles convidam também o setor privado a realizar um fórum bi-anual de comércio e investimentos para que as duas regiões passem a se conhecer melhor”, afirmou Alaby. A declaração diz ainda que os participantes devem intensificar as negociações de acordos de cooperação nas áreas agrícola, comercial, de logística, infra-estrutura, telecomunicações e informática.
Na área ambiental, os ministros recomendaram que as nações busquem criar mecanismos de cooperação que permitam a redução das emissões de gases poluentes. Os participantes ainda reiteraram o comprometimento de seus países em atingir as Metas do Milênio das Nações Unidas, que consistem em reduzir a pobreza no mundo pela metade até 2015.

