São Paulo – O crescimento econômico da África deve acelerar este ano, ao passo que, no Oriente Médio, o ritmo pode diminuir. Estas previsões constam do relatório World Economic Situation and Prospects 2012, divulgado esta semana pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o estudo, o crescimento do continente africano poderá passar de 2,7% em 2011 para 5% em 2012 e 5,1% em 2013. O avanço deverá ser impulsionado pelo preço ainda alto das commodities, que os africanos exportam, e pela entrada de capitais, especialmente da Ásia, cuja demanda por matérias-primas e investimentos na África vai continuar a crescer.
No caso do Norte da África, a parte árabe do continente, o relatório diz que a instabilidade política vai continuar a afetar o desenvolvimento econômico, mas como as economias de vários países da região ficaram estagnadas ou até retrocederam em 2011, haverá crescimento em 2012, por causa da baixa base de comparação, no Egito, Tunísia e Marrocos, e pelo processo de reconstrução na Líbia. O produto interno bruto (PIB) líbio recuou 22% no ano passado, informa o estudo.
Neste momento, o turismo é a atividade mais afetada pelas incertezas políticas pós-Primavera Árabe. Vale lembrar que Egito, Tunísia e Marrocos têm no setor uma de suas principais fontes de renda.
No Oriente Médio, ou Ásia Ocidental, como o relatório chama a região, a perspectiva é de desaceleração do crescimento de 6,6% em 2011 para 3,7% em 2012. Como no caso do Norte da África, o desenrolar da Primavera Árabe continuará a causar incertezas econômicas.
De acordo com a ONU, o Oriente Médio enfrenta três desafios: a continuidade da instabilidade política em países da região, especialmente Síria, Iêmen e Bahrein; a possível queda do preço do petróleo em função da crise econômica na Europa; e, no longo prazo, a necessidade de combater o desemprego e de diversificar as economias locais. A taxa de desemprego na região é uma das mais altas do mundo.
Segundo o levantamento, em 2011 os países exportadores de petróleo se beneficiaram do preço em patamar médio histórico. A cesta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ficou acima de US$ 100 por barril na maior parte do ano, contra US$ 77 em 2010.
Nas nações árabes do Golfo, os governos lançaram mão de generosos programas de gastos públicos frente aos protestos populares da Primavera Árabe, especialmente na Arábia Saudita, que chegou a destinar 30% de seu PIB em programas de geração de emprego, aumento de salários e consumo, e habitação.
Já o avanço do PIB da América do Sul pode desacelerar de 4,6% em 2011 para 3,6% em 2012. As economias da região, inclusive o Brasil, podem ser afetadas pela crise europeia, como foram a partir o segundo semestre do ano passado, e por eventual redução do ritmo de crescimento da China.
No geral, a ONU avalia que a economia mundial deverá crescer 2,6% em 2012 e 3,2% em 2013, ante 4% em 2010. Os países emergentes ainda deverão ter desempenho acima da média, com perspectiva de avanço de 5,4% este ano e de 5,8% no próximo, mas bem abaixo dos 7,1% de 2010.
Em um cenário mais pessimista, segundo o relatório, no qual a economia da União Europeia retrocederia 1,5% e a dos Estados Unidos, 0,8%, os países em desenvolvimento podem sofrer impactos mais graves por causa da forte ligação de seus mercados financeiros com os das nações desenvolvidas, e pela provável diminuição de suas exportações para estes mercados.

