São Paulo – A África tem potencial para suprir suas carências alimentares e evitar futuras crises de falta de alimentos com a produção de seus próprios agricultores se os governos africanos removerem as barreiras entre os países do continente para a comercialização de comida. A análise é do Banco Mundial e integra o relatório A África pode ajudar a alimentar a África: Removendo barreiras para o comércio regional em alimentos básicos, divulgado esta semana pela instituição.
Segundo o Banco Mundial, o continente africano também poderia gerar US$ 20 bilhões anualmente em ganhos extras se seus governantes derrubassem barreiras que impedem um maior dinamismo do comércio regional. "Com cerca de 19 milhões de pessoas vivendo sob ameaça da fome e da desnutrição na região do Sahel, o banco apela aos líderes africanos que melhorem o comércio para que os alimentos possam transitar mais livremente entre os países e das áreas férteis para aquelas onde as comunidades estão sofrendo com a escassez de comida. O Banco Mundial espera que a demanda por alimentos na África dobre até 2020, com a população cada vez mais deixando os campos e se mudando para as cidades naquele continente", afirma o documento.
De acordo com o relatório, com o aumento do comércio entre os países vizinhos, nações ao sul do Saara, por exemplo, poderiam aumentar significativamente suas vendas de alimentos nos próximos anos, ajudando a reduzir os impactos das secas, dos altos custos dos alimentos, do rápido crescimento populacional e das variações no clima.
"A África tem a habilidade para colher e entregar alimento de boa qualidade para ser posto nas mesas das famílias do continente", destaca, em nota, Makhtar Diop, vice-presidente do Banco Mundial para a África. "No entanto, este potencial não está sendo alcançado porque os agricultores enfrentam mais barreiras para levar seu alimento ao mercado do que em qualquer outro lugar no mundo. Muitas vezes, as fronteiras impedem o alimento de chegar aos lares e comunidades que estão sofrendo com muito pouco para se alimentar", aponta o executivo.
O documento sugere que se os líderes do continente aceitarem impulsionar um comércio inter-regional mais dinâmico, os agricultores da África, que são mulheres em sua maioria, poderiam potencialmente suprir a crescente demanda do continente e se beneficiar de oportunidades crescentes. Para a instituição, isso também poderia criar mais oportunidades de empregos em áreas como distribuição, além de reduzir a pobreza e os altos custos de importação de comida. Segundo o Banco Mundial, a produção de alimentos de primeira necessidade na África gera, pelo menos, US$ 50 bilhões por ano.
O relatório mostra ainda que somente 5% de todos os cereais importados pelos países da África vêm de outras nações da África, enquanto grandes áreas de terras férteis, cerca de 400 milhões de hectares, permanecem não cultivadas e a produtividade permanece uma fração daquelas obtidas por agricultores em qualquer lugar do mundo.
"O desafio chave para o continente é como criar um ambiente competitivo nos quais os governos criem políticas estáveis e com credibilidade que encorajem investidores e empresários privados a aumentar a produção de alimentos na região, de modo que os agricultores consigam o capital, as sementes e as máquinas que eles precisam para ser mais eficientes, e as famílias consigam suprir suas necessidades de boa comida a um preço justo", completa Paul Brenton, economista-chefe do Banco Mundial para a África e principal autor do relatório.

