São Paulo – Os países africanos precisam investir em setores estratégicos como infraestrutura, agricultura e indústria para promover transformação e crescimento sustentável do continente. É o que aponta relatório lançado nesta quinta-feira (3) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) sobre o desenvolvimento econômico da África.
De acordo com o documento, a África experimentou um crescimento relativamente alto durante a última década, mas a natureza do avanço não gerou empregos e nem reduziu a pobreza, já que teve como principal impulsor o consumo. Segundo o relatório, uma estratégia baseada no consumo não se mantém em médio e longo prazo e deve avançar paralelamente com o aumento de investimentos capazes de fomentar a produção de bens comerciais.
O relatório afirma que o crescimento que tem como fonte o consumo conduz a problemas econômicos como a dependência excessiva das importações, o que afeta a sobrevivências das indústrias locais, o aumento da produção e a criação de empregos. A Unctad chama os países a imporem reduções drásticas ao consumo para não influenciar negativamente o crescimento econômico.
Segundo o organismo, os investimentos no continente ainda são muito baixos frente às necessidades. A Unctad recomenda que os países diversifiquem suas fontes de rendimentos e afirma que muitos países não passaram ainda pelo processo normal de transformação estrutural, caracterizado pela redução da participação na economia de atividades de baixa produtividade, como a agricultura, para outras de maior, como indústria e serviços modernos.
A participação das atividades manufatureiras na economia caiu nos últimos anos, de 14% do total entre 1990 e 1999 para 11% entre 2000 e 2011. O setor de serviços atualmente domina as economias africanas, segundo a Unctad, respondendo por 47% da economia frente a 37% da indústria e 16% da agricultura. Segundo a Unctad, não é habitual que o setor de serviços tenha papel dominante numa economia que está em fase primária de desenvolvimento.
O organismo sugere que os países façam dos setores de infraestrutura, agricultura e indústria uma prioridade e aponta como desafio fomentar os investimentos na área. Segundo a Unctad, as instituições financeiras e bancos comerciais atualmente preferem dirigir seus serviços a setores não produtivos. O documento pede, no entanto, que os bancos centrais africanos adotem políticas de financiamento que favoreçam estes segmentos.


