São Paulo – O Sudão tem oportunidades para desenvolver seu setor agrícola, mas precisa promover investimentos e aprimorar a administração do seu agronegócio. De acordo com o documento final do Fórum de Segurança Alimentar e Mineração do Sudão, apresentado nesta quinta-feira (11) em Cartum, o país do Norte da África também precisa solucionar o boicote norte-americano a financiamentos, garantir a segurança jurídica dos contratos, buscar cooperação internacional e desenvolver sua infraestrutura.
O Fórum foi realizado na quarta-feira (10) e nesta quinta-feira pela União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes. Do evento participaram representantes de empresas, governos, das Câmaras Árabes da Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Mauritânia, Catar, Jordânia, Líbano, Alemanha, Bélgica, Austrália, Áustria e Grécia. A Câmara de Comércio Árabe Brasileira foi representada pelo diretor-geral, Michel Alaby.
Conforme relato de Alaby, nesta quinta-feira foram realizados painéis sobre segurança alimentar e sobre como ampliar a produção agrícola do Sudão. O encontro foi aberto pelo ministro do Abastecimento e Comércio Interno do Egito, Khaled Hanify, que afirmou que é preciso saber administrar os recursos naturais sudaneses. Ele sugeriu que sejam criados condomínios para produção e comercialização dos produtos agrícolas, um sistema similar ao de cooperativas de produtores. Também sugeriu que seja criada uma bolsa de mercadorias e futuros de países árabes para financiar pequenos e médios produtores.
Segundo Alaby, o documento final do encontro apresenta sugestões que precisam ser adotadas pelos setores públicos e privados para promover o desenvolvimento da agricultura e mineração sudanesas. Um dos temas discutidos foi a insegurança jurídica. “Há mudanças constantes das leis e não se usa arbitragem nos contratos. Quando se negocia governo a governo, como por exemplo China e Sudão, as regras são mais constantes. Entre governo e iniciativa privada há quebras de contrato e chega-se a levar quatro anos para o julgamento na primeira instância da divergência jurídica”, afirmou Alaby.
Exemplo brasileiro
Durante o encontro, Alaby apresentou projetos e números do Brasil na produção agropecuária. A safra de 2014 colheu 200 milhões de toneladas de grãos, volume que pode chegar a 400 milhões de toneladas até 2020. O país implantou o programa Bolsa Família, de transferência de renda aos mais pobres, assim como projetos sociais específicos para os pequenos produtores. O Brasil ainda precisa avançar em projetos de financiamento ao pequeno produtor, nas garantias de preço mínimo dos produtos agropecuários e nas compras de estoques excedentes.
Alaby afirmou que após o encontro, os participantes do fórum se reuniram com o primeiro-vice-presidente do Sudão, Bakry Ahmad Hassan.
Responsabilidade social
Também nesta quinta-feira foi realizado o fórum anual dos secretários gerais e diretores executivos das câmaras de comércio árabes e câmaras de comércio árabes estrangeiras. Nele, o secretário-geral da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, Emad Shehab, apresentou o novo presidente da instituição, Mohamedou Ould Mohamed Mahmoud, que também é presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura da Mauritânia.
O tema deste ano da reunião é a responsabilidade social das câmaras árabes e o apoio ao empreendedorismo. No encontro, Shehab afirmou que a união das câmaras árabes fará uma parceria com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) para apoiar empresas árabes incubadoras. No fim deste mês, a instituição deverá promover um evento para mostrar casos de sucesso de incubadoras que se desenvolveram.
No encontro, Alaby apresentou alguns projetos sociais e de desenvolvimento profissional realizados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, como o Programa Jovem Aprendiz, Programa de Estágio Remunerado e doação de agasalho a pessoas carentes.


