São Paulo – O acordo firmado entre os ministros da Agricultura do Sudão, Ismail Abd Elhalim Elmotafi, e do Brasil, Wagner Rossi, nesta semana, representa uma grande oportunidade de negócios para as empresas brasileiras.
Esta é a opinião do ministro árabe, que veio ao Brasil para participar do encontro Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, que se encerrou na última quarta-feira (12), em Brasília.
Além do encontro e do acordo, Elmotafi aproveitou sua passagem pelo país para fortalecer as relações com empresas brasileiras que já atuam no Sudão e também para mostrar que há mais espaço para cooperação e negócios entre os dois países. Ao final de um destes encontros, ele concedeu uma entrevista exclusiva à ANBA.
Leia abaixo, os principais trechos da conversa:
ANBA: O senhor veio ao Brasil para participar do evento Diálogo Brasil-África. Quais foram os principais pontos abordados no evento?
Ismail Abd Elhalim Elmotafi:O principal objetivo deste encontro entre Brasil e África é fortalecer as relações entre ambos, alcançar o desenvolvimento e prevenir a fome.
O Brasil está agora em posição de ajudar a África a se tornar suficiente em comida, de parar os conflitos, as guerras por causa da falta de recursos, e isto será feito de um modo que seja benéfico tanto para o Brasil como para a África. Não vai ser uma doação, vai ser uma parceria, na qual o Brasil pode realizar transferência de tecnologia, maquinário, recursos para ajudar os países africanos a produzir mais, a fazer mais dinheiro, para se tornarem capazes de comprar mais.
O senhor também assinou um acordo com o ministro brasileiro da Agricultura. Como o Brasil pode ter uma cooperação mais próxima com o Sudão?
O Brasil tem muito para oferecer ao mundo, seja para a África ou para o Sudão. Por esta razão, o acordo que foi assinado com o ministro da Agricultura consiste de muitos pontos. O mais importante deles é a troca de informações, os programas de treinamento, a transferência de tecnologia, a venda de equipamentos para o Sudão para melhorar as práticas agrícolas, a cooperação em centros de pesquisa e também centros acadêmicos em ambos os países. É um acordo em que nos ajudamos mutuamente a realizar melhores práticas econômicas, com desempenhos melhores.
Alguns meses atrás também foi assinado um acordo de cooperação entre o Brasil e o Sudão para aumentar a produção de algodão em seu país. O senhor fechou outros acordos com instituições brasileiras neste sentido ou pretende fazê-lo?
Com certeza estamos trabalhando em muitas direções. Este é o setor privado que está estabelecendo, é um acordo para algodão e soja no Sudão, em uma parceria de empresas sudanesas para tentar melhorar a plantação de algodão e para iniciar o cultivo de soja no Sudão em parceria com empresas brasileiras. Esta iniciativa está sendo tocada pelo setor privado e, ao mesmo tempo, temos outra iniciativa com o ministro da Agricultura para fazer com que as instituições governamentais colaborem entre si.
Quais serão as primeiras ações resultantes deste acordo?
Em relação ao setor privado, eles já estão no Sudão. Vão começar a plantar o algodão e a soja no próximo mês. Os técnicos já estão lá, as máquinas e as sementes já foram embarcadas, a empresa já foi estabelecida, esta iniciativa já foi iniciada. O acordo com o ministro da agricultura brasileiro acabou de ser assinado e estará sendo acompanhado pelo ministro, pelos departamentos do ministério e também pela Embrapa.
O senhor acredita que o Sudão também pode cooperar com o Brasil? Como?
Sim. O Sudão é um país virgem e o Brasil é uma economia emergente, com uma grande capacidade industrial, com muitas vendas e tecnologia. Tudo isso pode ser exportado para o Sudão. Ao menos tempo, o Sudão pode exportar o que o Brasil não está produzindo, como algumas colheitas que não podem ser produzidas no país, que são poucas, como o trigo. Mas o maior benefício para o Brasil é poder exportar unidades agroindustriais, maquinários, sementes, tecnologia, treinamento para pessoal. Tudo isso pode ser negócio para as companhias brasileiras.
O senhor acabou de ter encontros com empresas brasileiras. O que está buscando?
Nós já temos muitos parceiros do Brasil no Sudão. Temos empresas de irrigação, de consultoria. Agora, estávamos conversando com empresas que produzem equipamentos de irrigação com as quais temos parceria. Temos negócios com empresas de administração agrícola, de produção de açúcar e álcool. Há muitas atividades de brasileiros já iniciadas no Sudão e eu vim para fortalecê-las.
E o interesse do Sudão pelo etanol brasileiro?
O Sudão é o primeiro país na África a ter uma fábrica brasileira de etanol, e já estamos exportando para a Europa o etanol produzido por esta fábrica.

