Riad – A Saudi Agro-Food, feira dos ramos de alimentos e agricultura realizada de domingo a quarta-feira (04), em Riad, na Arábia Saudita, foi considerada positiva para a maioria das empresas brasileiras que participaram. Para elas, foi uma oportunidade para começar relacionamentos diretos com o empresariado local.
"A maioria das empresas ficou satisfeita com o mercado", disse o analista de comércio exterior do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luiz Cláudio Caruso. O estande do Brasil foi organizado pela companhia Conceito Brazil com apoio do Mapa e da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
O foco principal da feira, no entanto, não foi o inicialmente imaginado pelos expositores brasileiros. "A feira é voltada mais para insumos agropecuários", afirmou Caruso.
"Como não tínhamos um histórico da feira, imaginamos que ela era mais baseada em alimentos, mas, na realidade, ela é baseada em produção agrícola", acrescentou o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby. Foi a primeira participação da entidade e do governo brasileiro no evento.
Mesmo assim, muitas da empresa fizeram contatos considerados promissores. "O mercado saudita certamente continua no nosso foco", declarou Caruso. Segundo ele, o Mapa pretende voltar a marcar presença em eventos no país em 2010, mas vai avaliar qual o melhor modelo de evento. A própria Saudi Agro-Food pode servir de plataforma para exportadores brasileiros de insumos agropecuários.
Mesmo com o foco mais voltado para a produção, a mostra reuniu outros expositores de alimentos prontos para o consumo e recebeu importadores interessados nesses itens. "Tenho a impressão de que a participação foi positiva porque as empresas conheceram o mercado e o sistema de distribuição ao varejo", destacou Alaby.
Além da presença na exposição, os brasileiros fizeram visitas a grandes redes de supermercados. "Verificamos que, para negociar com os sauditas, tem que vir à Arábia, e não vender em países que eles vão visitar", acrescentou o secretário-geral. Para ele, foi um bom começo.
Contatos
De fato, praticamente todos os empresários fizeram algum contato que, acreditam, pode render negócios. É o caso da Germterra, empresa que produz sementes para pastagens. "São sementes melhoradas pela Embrapa adaptadas ao clima tropical. Eu distribuí muitas amostras e calculo que pode ser interessante fazer a semeadura e ver o que acontece. Se crescer, tenho certeza que vou ter o mercado", disse o representante para exportação da companhia, Osnin Paiva.
Paiva representou também outra empresa do mesmo grupo, a Madeireira Tauari, que comercializa madeira de eucalipto. "Achamos algum interesse", declarou.
Na mesma linha, Rafael Alves Lavanhini, do departamento de exportação da Dori Alimentos, fábrica de doces, disse que teve alguns contatos que podem virar negócios. "O foco da feira é diferente do dos nossos clientes, mas tive algumas visitas que podem virar", afirmou.
A companhia ainda não exporta para a Arábia Saudita, mas já tem negócios em outros países árabes. Ela procura um importador e distribuidor. "Vamos dar seguimento aos contatos", disse Lavanhini.
Já Bruno Borelli, da trading Emit, que comercializa biscoitos e doces, participou pela primeira vez de uma feira no Oriente Médio. Segundo ele, dos 21 contatos que fez, apenas três podem ser considerados “mais sérios". "Mas eu gostei de ter vindo para conhecer o mercado, sentir como ele é", destacou.
Borelli ressaltou que as duas empresas que representa, a Marilan e a Montevergine, têm bastante interesse no Oriente Médio.
Estratégia
Alaby acrescentou que, para 2010, deve se rever a estratégia para promoção de alimentos na Arábia Saudita, como trazer para a Saudi Agro-Food produtores de insumo agropecuários e realizar rodadas de negócios e encontros com grandes importadores "para viabilizar negociações efetivas para o setor de alimentos".

