Alexandre Rocha
São Paulo – As exportações do agronegócio brasileiro para os países árabes renderam US$ 242 milhões em janeiro e se mantiveram praticamente estáveis em comparação com o mesmo mês do ano passado, quando os embarques somaram US$ 242,3 milhões. Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., isso indica que o Brasil ampliou fortemente as vendas de produtos industrializados aos árabes, já que no geral as exportações para a região cresceram 22,3% e chegaram a US$ 388,8 milhões.
"O agronegócio continua a ser o principal setor nas exportações para os países árabes, mas já é possível perceber que outros produtos, especialmente os manufaturados, têm conquistado espaço neste mercado", disse Sarkis. "Prova disso é que as exportações no geral aumentaram bastante, apesar do agronegócio ter se mantido estável", acrescentou.
A estabilidade foi garantida porque se de um lado houve redução nas vendas de alguns produtos, ocorreu um aumento nas exportações de outros. Os embarques de açúcar, por exemplo, diminuíram de maneira acentuada. "Mas isso não ocorre só em relação aos países árabes, mas ao mercado externo em geral", disse Crebil Ferman, sócio da Global Guiders, trading brasileira que trabalha no comércio da commodity com o Oriente Médio.
De acordo com ele, há falta de açúcar no mercado ocasionada pela alta demanda internacional, pela entressafra no Brasil e por uma maior procura por álcool combustível no mercado interno, o que levou vários usineiros a optar pela produção de etanol em vez de açúcar. No total, o Brasil exportou US$ 268,2 milhões em açúcar em janeiro. O valor é 26% superior ao registrado em janeiro de 2005, mas, segundo o Ministério da Agricultura, o crescimento foi ocasionado pela valorização da commodity, já que em termos de volume os embarques caíram em 9%.
E a diminuição nas vendas de açúcar pesou. Para a Arábia Saudita, por exemplo, que é o principal cliente do Brasil na região, as exportações passaram de US$ 21,6 milhões em janeiro de 2005 para apenas US$ 884 em janeiro deste ano. O mesmo se repetiu em outros mercados importantes, como Egito, Argélia, Síria e Iêmen.
Ao mesmo tempo, as exportações de carnes (bovina e de frango) aumentaram de US$ 98,7 milhões em janeiro de 2005 para US$ 120,3 milhões em janeiro deste ano, o que significa um acréscimo de 21,8%. Arábia Saudita e o Egito estão no topo da lista de importadores destas mercadorias.
Movimento semelhante ocorreu com relação aos destinos. Enquanto a Arábia Saudita diminuiu as suas compras em 30,9%, os Emirados Árabes Unidos ampliaram suas importações em 130%; ao passo que os embarques para a Argélia caíram em quase 80%, as vendas para o Marrocos cresceram 63% e para o Líbano, em 133%. O Marrocos, aliás, passou a ser o segundo principal importador do agronegócio brasileiro entre os países africanos, atrás apenas do Egito e à frente da África do Sul e da Nigéria, que são parceiros tradicionais do Brasil entre os países emergentes.
No caso da Argélia, por exemplo, Sarkis lembra que entrou em vigor no segundo semestre do ano passado o acordo de associação entre o país árabe e a União Européia, o que fez as taxas de importação caírem de maneira acentuada e a competição com os produtos brasileiros aumentar, já que a Europa produz mercadorias semelhantes.

