Alexandre Rocha
e Marina Sarruf
São Paulo – Embora o peso do agronegócio na pauta de comércio entre o Brasil e os países árabes tenha diminuído, as vendas do setor para a região continuaram a aumentar no primeiro semestre deste ano. Cresceram, aliás, quase o dobro das exportações totais do setor. Entre janeiro e junho, os embarques de produtos agropecuários ao Oriente Médio e Norte da África renderam US$ 1,64 bilhão, 10,8% a mais do que no mesmo período de 2005. No primeiro semestre, as vendas externas gerais do agronegócio aumentaram em 5,7% e chegaram a US$ 21,3 bilhões. Os dados são do Ministério da Agricultura.
"O açúcar e as carnes continuam a ser os principais itens da pauta", disse ontem (13) o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr. O açúcar responde por 25% do total das exportações brasileiras à região e as carnes (bovina e de frango) por 24%. "Cerca de 90% dos alimentos consumidos nos países árabes são importados", acrescentou Sarkis. Os árabes são hoje os principais compradores destes dois itens do Brasil.
E a perspectiva é de que os embarques do setor continuem a crescer no segundo semestre, especialmente após o Egito ter anunciado a liberação da importação de frangos congelados, ovos frescos e ovos em pó, e zerado as tarifas sobre estes produtos e outros, como carne bovina congelada, peixes e frango industrializado, conforme a ANBA revelou ontem. As medidas valem por seis meses.
"É a hora de entrar no Egito, que é um mercado importantíssimo, o mais populoso do mundo árabe e grande consumidor de frango", declarou Sarkis. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Ricardo Gonçalves, concorda. "Se a gente conseguir agarrar esta oportunidade a tempo podemos fazer bons negócios com o Egito", afirmou ele ontem em São Paulo.
Gonçalves acredita que o Brasil pode passar a exportar cerca de 100 mil toneladas por ano ao Egito. "Já estamos trabalhando com o Ministério da Agricultura para assinar o convênio sanitário com o Egito", disse. Para ser assinado o acordo é preciso trazer para o Brasil uma equipe do Ministério da Agricultura egípcio da área sanitária, que envolve também supervisores do abate halal, feito de acordo com a tradição muçulmana.
"Essa é uma questão muito importante em países muçulmanos. Inclusive já temos uma equipe experiente que pratica o abate halal no Brasil", afirmou Gonçalves. A prática do abate segundo as regras islâmicas é bastante difundida entre os frigoríficos brasileiros.
Ramadã
Sarkis destacou também que nos meses que antecedem ao Ramadã, que este ano vai coincidir com o final de setembro e boa parte de outubro, é costume nos países árabes formar estoques de alimentos. Isto porque, apesar do jejum praticado durante o dia nesta época, os muçulmanos costumam comer bastante à noite. Além disso, o mês sagrado é seguido de um período de festas.
"Então nestes meses as exportações de alimentos costumam aumentar", afirmou o presidente da Câmara Árabe. Isto fica claro quando se observa o desempenho de junho, superior ao dos meses anteriores. No mês, o agronegócio brasileiro embarcou o equivalente a US$ 366 milhões às nações árabes, um aumento de 26,5% em comparação com junho de 2005.

