Isaura Daniel
São Paulo – Mais uma vez o agronegócio vai sustentar o saldo da balança comercial do país. Noventa por cento do superávit de US$ 33 bilhões previsto para o comércio internacional brasileiro em 2004 deve vir da produção agrícola e pecuária. É o quarto ano consecutivo que o setor vai sustentar o superávit da balança. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê que as vendas do agronegócio alcancem US$ 35 bilhões e as importações US$ 5 bilhões, gerando superávit de US$ 30 bilhões.
No ano passado, o saldo comercial do país ficou em US$ 24,7 bilhões enquanto o do agronegócio chegou a US$ 25,8 bilhões. Nos dois anos anteriores, os resultados do setor superaram significativamente os números do país. Em 2002, o superávit da balança do agronegócio ficou em US$ 20,3 bilhões, 54% maior do que o saldo nacional, de US$ 13,1 bilhões, e em 2001 o superávit da pecuária e agricultura, de US$ 19 bilhões, foi sete vezes maior que o nacional, de US$ 2,6 bilhões.
O chefe do Departamento de Comércio Exterior da CNA, Antônio Donizeti Beraldo, afirma que o desempenho é resultado do aumento de produção agrícola e pecuária do país e também da competitividade do setor. "Há hoje maior produtividade, uso de tecnologias mais avançadas no desenvolvimento das culturas e no manejo de lavouras", diz.
A diversificação da pauta de exportações, de acordo Beraldo, também colaborou para o crescimento das vendas. Ele cita as exportações de algodão, trigo e milho feitas neste ano. "Exportamos US$ 600 milhões em milho neste ano. Em trigo, que sempre fomos importadores, vendemos US$ 200 milhões. Em algodão exportamos US$ 1,1 bilhão. Já chegamos a ser a segundo maior importador mundial de algodão", comemora.
De janeiro a outubro deste ano, as exportações brasileiras de produtos agropecuários cresceram 30% e atingiram US$ 33 bilhões. A União Européia continua sendo o principal cliente no exterior, com 34,6% das compras, mas outros mercados, como Oriente Médio e África, onde estão os países árabes, também estão crescendo como destino.
As vendas para o Oriente Médio, por exemplo, passaram de uma participação de 6,4% nas exportações do agronegócio entre janeiro e outubro de 2003 para 7,2% no mesmo período deste ano. O faturamento com vendas de produtos agropecuários para a África representaram 5,5%, contra 4,8% em 2003. Enquanto a União Européia cresceu 22,18% como compradora, o Oriente Médio avançou 45% e a África 49%.
"Está ocorrendo uma diversificação de mercados. A Europa já é nossa grande consumidora, é um grande mercado, mas com potencial de crescimento pequeno", diz Beraldo. O Brasil faturou US$ 11,4 bilhões com vendas para o bloco europeu. Com as exportações para os africanos a receita alcançou US$ 1,8 bilhões e para o Oriente Médio US$ 2,3 bilhões.
Soja e carne
Os produtos que mais deram sustentação ao crescimento das exportações do agronegócio, entre janeiro e outubro deste ano, foram a soja e as carnes. As receitas do complexo soja, que inclui grãos, óleo e farelo, somaram US$ 9,2 bilhões e as de carne US$ 5,05 bilhões. Isso significa que os dois produtos responderam por 43% das vendas. O aumento tanto dos preços da soja, quanto das carnes, influenciou o desempenho.
As vendas de carne foram favorecidas por problemas que tiveram alguns concorrentes, como os Estados Unidos, com o mal da vaca louca, e pelo crescimento das vendas em mercados como Oriente Médio. No caso da soja, a menor oferta mundial acabou favorecendo as vendas brasileiras.
Para 2005
No próximo ano, porém, as commodities devem sofrer redução de preços no mercado internacional, em função da grande safra mundial prevista, o que poderá afetar o desempenho das exportações. A CNA prevê exportações de US$ 33 bilhões e importações de US$ 5 bilhões, o que gerará um superávit de US$ 28 bilhões. Se os números se confirmarem, o faturamento com as vendas será US$ 2 bilhões inferior a 2004. O valor de US$ 35 bilhões projetado para as exportações de produtos agropecuários em 2004 é recorde histórico.

