Isaura Daniel
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São Paulo – O Egito, país árabe do Norte da África, e o estado de Santa Catarina, têm potencialidade para ampliar a sua balança comercial. A idéia foi defendida ontem (11) no seminário "Oportunidades de negócios com o Egito" que ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis. De acordo com o presidente da Câmara de Tecnologia da Fiesc, Alexandre Cunha, uma das áreas onde há oportunidade para alargar a balança é na importação de matérias-primas têxteis do Egito. O país árabe é um grande produtor de algodão, seus fios, tecidos e confecções. O algodão egípcio é famoso no mundo inteiro por sua alta qualidade.
"As empresas têxteis de Santa Catarina estão buscando novos nichos de mercado, onde estão consumidores de renda mais alta", diz Cunha, acrescentando que as matérias-primas egípcias podem ser utilizadas para a fabricação destes produtos de maior valor agregado. Além do seminário, que ocorreu pela manhã, também houve, pela tarde, encontro com empresas catarinenses. Uma delas foi a Teka, fábrica de produtos de cama, mesa e banho. De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que participou das atividades, a empresa se mostrou interessada nos produtos egípcios e solicitou contatos de possíveis fornecedores de matérias-primas.
No ano passado, de acordo com o presidente da Câmara de Tecnologia da Fiesc, a corrente comercial entre o Egito e Santa Catarina ficou em US$ 8,5 milhões, dos quais US$ 7,2 milhões foram exportações brasileiras e US$ 1,3 milhão vendas egípcias para o Brasil. Esse valor de US$ 8,5 milhões, segundo Cunha, ainda é muito pequeno. "Existem diversas oportunidades de negócios", disse à ANBA por telefone, após as atividades em Florianópolis. Para o Brasil, segundo ele, há possibilidades de exportações de máquinas, equipamentos e produtos eletrônicos. E o Egito, afirma Cunha, pode vender para o Brasil matérias-primas têxteis, fármacos e derivados de petróleo.
Cunha se disse surpreso com a informação, por exemplo, de que o Egito tem uma excelente indústria de farmacêutica. O dado foi divulgado pelo o cônsul comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Bakri Agami, que deu uma palestra no encontro. O seminário foi uma promoção do Escritório Comercial do Egito em São Paulo, Câmara Árabe e Fiesc e fez parte de uma série de encontros que estão sendo promovidos Brasil afora para fomentar as exportações egípcias. Bakri ofereceu também, no encontro, o seu país como um local para investimentos brasileiros já que o Egito mantém acordos comerciais e pode ser uma porta de entrada para outras regiões, como os demais países árabes, as nações africanas e européias.
O cônsul também falou sobre o setor de turismo no Egito. Cunha afirmou que o Brasil e o seu estado têm muito o que aprender com o país árabe nesta área. "As cifras do setor de turismo do Egito são quase assustadoras", disse ele à ANBA referindo-se aos valores movimentados pelo segmento no país do Norte da África. O Brasil, segundo ele, pode aprender com o Egito a atrair e satisfazer o público exigente, de alto padrão. Segundo Cunha, os catarinenses pretendem utilizar esse canal que foi aberto com o Egito a partir do seminário. Um primeiro compromisso, de acordo com ele, é a troca de informação sobre normas técnicas de cada mercado.
De acordo com Alaby, foram feitos muito bons contatos no encontro em Santa Catarina. O seminário reuniu 85 pessoas, entre empresários e interessados no tema. A participação na promoção destes encontros, segundo ele, faz parte das ações da Câmara Árabe para incentivar as importações de produtos árabes no Brasil. Seminários semelhantes, sobre potencial de negócios com o Egito, vão ocorrer até o final do ano em outras regiões do país. Até agora o seminário "Oportunidade de negócios com o Egito" já foi realizado no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

