Riad – Algumas das empresas brasileiras que estão expondo na Saudi Agro-Food, feira dos ramos de alimentos e agronegócio que ocorre em Riad, na Arábia Saudita, estão confiantes na abertura do mercado ou ampliação de negócios já existentes. "Nossos produtos foram aceitos 100% em termos de sabor pelo paladar local, tenho esperança de que [a feira] vai render resultados em muito curto prazo", disse, por exemplo, o gerente da exportação da indústria de queijos Tirolez, Paulo Hegg.
A Tirolez exporta para outros países árabes e tem participado com freqüência de feiras no Oriente Médio, mas expõe pela primeira vez na Arábia Saudita. "É uma oportunidade para conhecer de perto este mercado, o quarto maior do mundo para queijos e que é muito aberto às novidades”, afirmou Hegg nesta terça-feira (03), penúltimo dia da mostra.
O fato da empresa ter negócios na região favorece sua entrada no país, uma vez que ela dispõe de rótulos, embalagens e catálogos escritos em árabe e de já ter tido contato com importadores locais em outras feiras de negócios.
Alguns dos produtos que agradaram os visitantes do estande foram requeijão, ricota cremosa, provolone defumado, cheddar, parmesão e o brasileiríssimo queijo de coalho. Hegg contratou um ajudante para grelhar os espetinhos de queijo de coalho e oferecer aos visitantes. Para ele, os produtos brasileiros podem ser introduzidos no país como uma alternativa mais barata aos queijos europeus.
Na mesma linha aposta Hideyuki Kamimura, da Bauducco, tradicional fabricante de bolos e biscoitos. "Tenho grande expectativa, mas este é um mercado difícil, pois há muita concorrência local", declarou. Ele acredita, porém, que há possibilidade de ganhar espaço frente às mercadorias européias, que geralmente são mais caras.
A Bauducco já vende para a Arábia Saudita, tem um acordo com o grupo proprietário da rede de supermercados Danube, além de exportar para outros países árabes. Agora a empresa quer ampliar sua presença para lojas de outras bandeiras, o que pode vir a ser feito pelo mesmo parceiro, uma vez que o grupo saudita tem também uma empresa de distribuição.
Segundo Kamimura, o Oriente Médio é uma das prioridades da Bauducco na seara das exportações, tanto que a companhia já participou este ano da Gulfood, principal feira de alimentos da região, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele acrescentou que há muita procura por itens como waffers e bolinhos recheados, além da linha "light".
Hegg, da Tirolez, disse que, no caso dos queijos, houve também muito interesse por produtos "light". Representantes de algumas das empresas brasileiras visitaram grandes lojas das redes Danube e Panda em Riad e constataram que há uma forte presença de alimentos "light" e dietéticos. No Oriente Médio, onde é muito alto o índice de diabéticos, há cada vez mais preocupação com uma alimentação mais saudável.
Presença
Tanto Kamimura quanto Hegg destacaram a importância da presença na feira para a realização de negócios. Na mesma linha, José Farhat, trader da Alliance Commodities, disse que a mostra oferece uma oportunidade única de contato direto com potenciais clientes. "A melhor e mais abrangente feira da região é a Gulfood, mas só esta aqui nos dá essa oportunidade excelente de acesso específico à Arábia Saudita", ressaltou Farhat.
Entre os produtos expostos pela Alliance, segundo Farhat, o maior interesse tem sido por um tipo de leite em pó que tem a gordura animal extraída e substituída por outra de origem vegetal, o que barateia a mercadoria.
Farhat, que fala árabe, acrescentou que saber o idioma é um grande diferencial. "Muda completamente a aceitação", disse. Ele ressaltou ainda que, tão importante quanto participar da feira, é dar seguimento aos contatos realizados. "Se não fizer um ‘follow up’, o esforço terá sido em vão. A primeira coisa a fazer ao voltar para casa é dar sinal de vida e tomar as providências prometidas", destacou.
Na opinião da maioria dos expositores, é difícil fechar negócios na própria feira, o que torna mais importante ainda o trabalho posterior. "Não recebemos muitos contatos efetivos, foi um pouco fraco, mas tivemos algumas boas conversas. Acredito que é um mercado com potencial", afirmou o gerente de comércio exterior da Mococa, Sandro da Conceição. O principal produto apresentado pela empresa é o leite condensado.
Apesar das expectativas positivas dos expositores brasileiros, é praticamente consenso que a Saudi Agro-Food é mais uma feira de insumos para a produção agropecuária do que de alimentos prontos para o consumo. Boa parte dos estandes exibe produtos como máquinas e equipamentos, rações, vacinas, adubos, sementes e até animais vivos, principalmente pintinhos.
Segundo o diretor internacional da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Thomas Kim, não há, por exemplo, muita procura por carne. "Isso não quer dizer que o Brasil não pode participar, mas deve trazer mais tecnologias e insumos para ajudar na produção", afirmou.

