Isaura Daniel, enviada especial*
Doha – A Aljazeera, o mais famoso canal de televisão do mundo árabe, vai abrir uma sucursal no Brasil até o final deste ano. A informação foi dada à ANBA, com exclusividade, pelo editor-chefe do canal, Ahmed Sheikh, durante a inauguração da nova redação da rede, em Doha, na semana passada. A redação fica no mesmo local onde estão as instalações antigas do canal, que também continuarão a ser usada.
"Temos muito boa audiência na América Latina. Na Argentina, na Venezuela, no Brasil há comunidades árabes muito ativas", disse o editor. As cidades cogitadas para receber os repórteres árabes são São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Antes de abrir o escritório no Brasil, porém, a Aljazeera vai instalar sua redação em Caracas, na Venezuela, no mês de julho.
A equipe de reportagem do canal esteve no Brasil por duas vezes neste ano para fazer matérias sobre a cúpula dos países árabes e sul-americanos, que ocorreu no mês de maio, em Brasília. Uma das reportagens feitas foi um documentário sobre a economia e a política brasileira. A história do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mostrada num vídeo.
A instalação de uma redação da Aljazeera no Brasil, na verdade, faz parte de um plano audacioso de expansão do canal. Entre fevereiro e março do próximo ano a rede vai abrir um canal em inglês. A idéia é tornar a programação acessível ao público que não fala árabe. Hoje, todo o conteúdo é transmitido no idioma árabe. "Nosso site, em inglês, já é muito popular", diz o editor-chefe. O projeto ainda não está totalmente fechado, mas já se sabe que será um canal separado do atual e terá escritórios em vários países de idioma inglês.
A Aljazeera também planeja abrir, no próximo ano, um canal com documentários, similar ao modelo do Discovery Channel, e outro voltado para crianças, com programação infantil. A empresa quer se tornar ainda mais abrangente do que já é.
A Aljazeera conta hoje com 54 milhões de telespectadores no mundo. Na América do Norte, por exemplo, o canal é visto em 135 mil residências. A rede, que pertence ao governo do Catar e é transmitida via satélite, emprega 1.250 pessoas, entre jornalistas, diretores, produtores e administradores. Apesar de ter um comitê editorial e administradores profissionais, o principal executivo é o xeque Hamad Bin Thamer Al Thani, da familia real do Catar.
A Aljazeera foi aberta em 1996 e ganhou notoriedade no mundo inteiro após a cobertura da guerra no Iraque. O canal causa polêmica em algumas partes do mundo em função da veiculação de notícias sobre o terrorismo. A Aljazeera teve seu sinal proibido em 30 países, de acordo com informações do canal.
Hoje, a programação da Aljazeera é voltada ao jornalismo. São transmitidas 15 horas diárias de boletins noticiosos. O canal possui 70 correspondentes em todo o mundo.
No início do ano passado, a Aljazeera abriu um centro de treinamento para a capacitação de profissionais árabes da área de comunicação. Os cursos oferecidos envolvem não apenas o trabalho em televisão, mas também em mídia impressa, eletrônica e rádio. A capacitação é aberta a profissionais de fora do canal.
*A jornalista viajou a convite da Qatar News Agency

