Isaura Daniel, enviada especial
Macapá – O estado do Amapá vai voltar a fazer uma exportação significativa para o mercado árabe. Os pecuaristas amapaenses vão embarcar três mil búfalos vivos para o Líbano até a primeira semana de outubro. O primeiro lote, com 1,5 mil animais, sai do estado na próxima sexta-feira (29), de acordo com o chefe da divisão de Comércio Exterior da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do governo do Amapá, Nonato Oliveira. O estado, que fica no Norte do Brasil, tem o segundo maior rebanho de búfalos do país, com 300 mil animais.
A exportação será feita pela trading Baires, do Pará, estado vizinho do Amapá, e os búfalos serão fornecidos por integrantes da Associação dos Pecuaristas do Amapá. Segundo Oliveira, o primeiro embarque ocorre sexta-feira (29) e o segundo na primeira semana de outubro. Os animais vão ser transportados em um navio curral, que sairá do porto de Santana, que tem saída no rio Amazonas, e chegarão no Líbano em cerca de quinze dias. De acordo com Oliveira, as vendas devem gerar cerca de R$ 1,6 milhão.
No país árabe, os búfalos serão usados para corte. Alguns já viajarão praticamente prontos para o abate e outros ainda passarão por um período de engorda. No sistema de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, não há registro de embarque anterior de búfalos do Amapá para os árabes. Desde 1997, na verdade, o estado não faz exportações significativas para a região. De lá até este ano, a maior venda anual foi de US$ 165 mil, em 1999, correspondente a palmito.
Entre os anos de 1993 e 1997, o Amapá fez, anualmente, exportações superiores a US$ 1 milhão para o mercado árabe. Na época, o estado produzia manganês, produto que era vendido para os árabes. A maior exportação registrada no Ministério do Desenvolvimento é de US$ 2,2 milhões, em 1994. De acordo com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração do estado, João Benício Dias, o Amapá tem interesse em exportar para os árabes. Segundo Oliveira, as vendas de búfalos devem ter continuidade. A intenção é que sejam feitos embarques mensais para o Oriente Médio.
Búfalos do Norte
O Amapá e o Pará juntos formam o Delta do Amazonas têm a maior população bubalina do Brasil. De acordo com Oliveira, o búfalo se adapta bem às áreas inundáveis, como as que existem no estado. Por ser um animal seletivo na hora de se alimentar, mesmo em regiões alagadas, ele vai buscar a melhor pastagem. O búfalo também transpira menos que o boi e por isso não tem problema com o calor que faz na região. O Amapá cria búfalos domésticos das raças Murrah, Jafarabadi, Mediterrâneo, que são do tipo Rio, originárias da Índia e Paquistão, e Carabao, do tipo Pântano, do Sudeste Asiático.
No estado existem cerca de quatro mil criadores de búfalos, entre pequenos e grandes. De acordo com Oliveira, as criações vão de 10 animais a 20 mil. As propriedades de pequeno porte chegam a utilizar o animal para produção de leite, mas a maioria dos búfalos se destina ao corte. São abatidos, segundo Oliveira, que também é criador de búfalos e vice-presidente da associação de pecuaristas, cerca de 45 mil animais ao ano no Amapá. "A carne de búfalos, chega a ter até 40% menos colesterol que a de bovinos, tem mais sais minerais, proteínas e menos gordura", diz Oliveira.
Pecuaristas do Amapá
O português José Maria Esteves, que mora no Brasil desde 1975, é um dos criadores de búfalo do estado do Amapá. Os animais de Esteves não farão parte dos próximos dois embarques previstos para o Líbano, mas devem fazer nos seguintes. O pecuarista mantém 1.050 animais em uma granja, nos arredores do município de Macapá, e em uma fazenda em Cutias, interior do estado.
"Hoje é um bom negócio vender búfalo em pé porque a oferta está maior do que a procura", afirma Esteves. A exportação deve favorecer até mesmo quem não vai participar da venda, já que os preços poderão aumentar em função da menor oferta de animais no mercado nacional. Os búfalos criados por Esteves são da raça Murrah. (Leia mais sobre o assunto nas retrancas abaixo).

