Isaura Daniel, enviada especial
Brasília – Começa uma nova fase na relação dos países árabes com a América do Sul. Com esse espírito foi aberto hoje pela manhã (9), em Brasília, o Encontro Empresarial. O evento faz parte da programação paralela à Cúpula América do Sul – Países Árabes. "Estamos iniciando uma nova trajetória nas relações da América do Sul e países árabes", disse o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Luiz Fernando Furlan, na solenidade de abertura, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
A cerimônia deu início aos seminários que ocorrerão entre hoje e quarta-feira sobre a economia das duas regiões e também à feira de investimentos, na qual os países envolvidos na cúpula mostram seu potencial para investimentos. O encontro deve reunir cerca de 820 empresários – entre árabes e sul-americanos.
Furlan abriu o evento ao lado de Leila Rachid de Cowles, ministra de Relações Exteriores do Paraguai, que ocupa a presidência temporária do Mercosul, do ministro da Indústria e Comércio da Argélia, El Hachemi Djaaboub, o vice-ministro de Relações Exteriores do Peru e representante da Comunidade Andina, Armando Lecaros, o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyad, o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr, e o secretário-geral de Relações Exteriores do Brasil, Samuel Pinheiro Guimarães.
"Esse é um momento histórico, talvez seja a primeira vez que duas regiões do mundo em desenvolvimento, América do Sul e árabes, se encontram. Fomos capazes de superar o ceticismo que havia em relação a este encontro", afirmou Guimarães. O ministro Furlan afirmou que o comércio entre o Brasil e os países árabes, que no ano passado ficou em US$ 8,2 bilhões, deve saltar para US$ 15 bilhões em três anos.
Ele lembrou que as exportações e importações já cresceram substancialmente no início deste ano e destacou a participação de alguns países, como Arábia Saudita, Marrocos, Líbia, Síria e Kuwait, neste desempenho. Furlan também agradeceu o trabalho da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) pelo aumento das relações comerciais do Brasil com o mundo árabe.
Em entrevista à imprensa, logo após a abertura do encontro, o presidente da CCAB lembrou do potencial do consumo árabe. "O mercado árabe importou no ano passado US$ 240 bilhões. Esse é um mercado novo e que tem potencial. Os empresários brasileiros precisam olhar para todos os mercados, inclusive o árabe", disse.
Entre os produtos que podem ser vendidos em maior volume para a região, Sarkis destacou equipamentos medico-hospitalares, veículos como ônibus, caminhões e tratores, máquinas agrícolas, calçados e vestuário. O secretário-geral de Relações Exteriores do Brasil afirmou que, assim como o Brasil, também os demais países da América do Sul poderão aumentar o seu comércio com o mundo árabe.
Imigrantes
Várias das autoridades presentes na solenidade falaram sobre a importância dos descendentes árabes para o desenvolvimento do Brasil. "Em várias partes do Brasil os árabes levaram a civilização", disse Guimarães, a respeito da imigração. "O Brasil tem grandes empreendedores de origem árabe", disse Furlan. A ministra Leila também falou sobre os laços de sangue que unem árabes e sul-americanos.
A solenidade foi uma oportunidade para que as autoridades e empresários árabes conhecessem mais o potencial do Mercosul e Comunidade Andina e os sul-americanos tivessem mais informações sobre os países do Golfo Arábico.
A ministra Leila falou sobre o atual estágio do Mercosul e os seus acordos comerciais, entre eles o que deve ser assinado com o GCC até o final da cúpula, na quarta-feira. O mesmo foi feito pelos representantes do Conselho de Cooperação do Golfo e da Comunidade Andina. Al-Attiyah, do GCC, confirmou o interesse dos países que formam o bloco pelo Mercosul.

