Agência Brasil
Brasília – A inclusão de um país árabe entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) é uma alternativa que deveria ser avaliada, afirma o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Para ele, a presença dos árabes poderia representar melhor a diversidade do continente africano. "Talvez tenha que se pensar em um país árabe, sem contar os dois africanos. Isso eu não sei. Essa é uma questão que terá que ser vista. Evidentemente tem de se ver o equilíbrio entre as várias regiões. Não é uma questão que se resolve de um dia para o outro", disse o ministro à Agência Brasil após concluir viagem a cinco países da África.
Em dezembro do ano passado, 16 peritos em relações internacionais apresentaram ao secretário geral da ONU, Kofi Annan, relatório sobre reformas no organismo. Uma delas sugere a abertura de mais seis vagas permanentes no Conselho de Segurança – sendo duas destinadas à África e o restante para Ásia, Europa e Américas (uma para cada continente). No entanto, os países não teriam direito a veto como os cinco atuais membros permanentes (Estados Unidos, China, Rússia, França e Inglaterra).
A outra alternativa apresentada pela equipe não prevê novos assentos permanentes. Os países ocupariam as cadeiras por um período de quatro anos e poderiam ser reeleitos. A primeira proposta – chamada de modelo A – é a que mais interessa ao Brasil. Em algumas declarações, o ministro Celso Amorim defendeu que os novos membros permanentes tenham o poder de veto. No próximo dia 27, o secretário Kofi Annan deve dar início às discussões sobre as mudanças no órgão.
O Brasil tem interesse em ocupar uma cadeira permanente no Conselho. Na entrevista, o ministro Celso Amorim também ressaltou o apoio dos países africanos ao Brasil. "Não há ninguém na África que eu conheça que tenha qualquer tipo de resistência ao Brasil. Pelo contrário, em alguns lugares eu ouvi claramente que o Brasil será um bom acréscimo ao Conselho de Segurança".

