Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil e a Arábia Saudita devem assinar em breve um acordo de cooperação que vai servir de base para o desenvolvimento de intercâmbio na área técnica e também começaram a alinhavar parcerias estratégicas nas áreas política e econômica. Esses foram alguns dos resultados do encontro entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, com o rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdel-Aziz Al-Saud, no último final de semana, no país árabe.
O chanceler brasileiro desembarcou na Arábia Saudita na sexta-feira (08) e ficou até o domingo (09). Ele também visitou a Síria, entre domingo e segunda-feira (11), e foi recebido pelo presidente sírio, Bashar Al-Assad, em Damasco. Amorim ainda visitará Jordânia, para onde partiu ontem mesmo, além de Palestina e Israel.
De acordo com o embaixador do Brasil em Riad, Isnard Penha Brasil Jr, que acompanhou a viagem de Amorim à Arábia Saudita, o acordo de cooperação técnica que brasileiros e sauditas estão preparando, que depende ainda da aprovação do conselho de ministros sauditas, é um acordo guarda-chuva que abrirá portas para outros convênios.
Segundo ele, foram mencionadas inúmeras áreas de interesse na reunião de Amorim com o rei, como habitação, formação de pessoal, ciência e tecnologia, agricultura para o semi-árido e petroquímica. Ele deve ser concluído nos próximos dias, disse o embaixador brasileiro.
De acordo com informações do Itamaraty, as duas autoridades também discutiram parcerias estratégicas como a formação de uma comissão mista com representantes de cada um dos governos, a criação de mecanismos de consultas políticas, além da realização de fóruns de presidentes de empresas dos dois países.
O mecanismo de consulta política prevê reuniões esporádicas entre altos funcionários para tratar de questões que envolvem os dois países ou de cunho mundial na qual eles tenham interesse. Também foi manifestado interesse, de acordo com a assessoria do Itamaraty, em intercâmbio entre academias diplomáticas e na área de contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Amorim levou uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao rei Abdullah, na qual Lula o convidou para vir ao Brasil e manifestou o desejo de visitar também o país árabe. O monarca, que já esteve no Brasil antes de assumir o trono, na condição de príncipe, aceitou o convite. Isnard acredita que as visitas devem ocorrer até o final deste ano.
Um dos principais objetivos da visita de Amorim ao Oriente Médio é oferecer a ajuda do Brasil para o estabelecimento do processo de paz na região. O chanceler manifestou ao rei a disposição brasileira de intermediar conflitos, o que foi bem recebido por Al-Saud, segundo o embaixador Isnard.
"Eles tiveram uma conversa longa, franca e amistosa", disse o diplomata. O rei saudita recebeu Amorim em uma tenda de luxo, na sua fazenda, a cerca de uma hora de Riad. O encontro durou aproximadamente três horas, incluindo um encontro privado e o almoço que Al-Saud ofereceu. "Foi uma visita importante para aproximação política, convergência de objetivos, para que o Brasil se torne mais conhecido na Arábia Saudita e a Arábia Saudita se torne mais conhecida no Brasil", afirmou Isnard à ANBA.
A paz no Oriente Médio também foi tema do encontro entre Amorim e o presidente da Síria. De acordo com notícia publicada na Syrian Arab New Agency (SANA), o chanceler brasileiro conversou com Al-Assad sobre a importância de um processo de paz justo no Oriente Médio e explicou a posição do Brasil.
Segundo a SANA, Amorim afirmou que a Síria tem um papel importante na estabilidade da região. Amorim e o presidente sírio ainda trataram das relações bilaterais e da consolidação delas em diferentes áreas. Amorim foi recebido no país também pela ministra da Emigrados, Bouthaina Shaaban, além de outras autoridades. Com Shaaban, Amorim falou sobre a importância da atuação da comunidade síria no Brasil nas áreas intelectual, humana, econômica e social.
Na Arábia Saudita, o chanceler brasileiro também foi recebido por outras autoridades, como o ministro de Relações Exteriores interino, Nizar Obaid Madani, e o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyah. Com Madani Amorim tratou da possibilidade de intercâmbio em tipos de financiamentos usados em cada um dos países, e com Al-Attiyad sobre o acordo que o bloco do Golfo está negociando com o Mercosul. Segundo o Itamaraty, eles examinaram a retomadas das negociações para o avanço do acordo de livre comércio.
O Reino da Arábia Saudita
A Arábia Saudita é o país com o qual o Brasil mantém o maior fluxo de comércio no mundo árabe. No ano passado, o comércio entre os dois países chegou a US$ 3,1 bilhões, dos quais US$ 1,47 bilhão foram exportações brasileira e US$ 1,7 bilhão exportações sauditas. O Brasil vende para o país árabe principalmente carnes e os sauditas são fornecedores de petróleo e derivados para o Brasil. O país árabe tem uma população de 25 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto de US$ 349 bilhões. A Arábia Saudita possui as maiores reservas de petróleo do mundo e é também a maior exportadora da commodity.
República Árabe da Síria
A Síria e o Brasil tiveram, no ano passado, um intercâmbio comercial de US$ 205 milhões. Grande parte deste valor foi de vendas do Brasil para o mercado sírio: US$ 195,6 milhões. O principal produto vendido é o açúcar. A Síria também tem na exportação do petróleo um dos principais pilares da sua economia. Elas representam cerca de 70% do total. A agricultura, que também ajuda a movimentar a economia, responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto do país, que é de cerca de US$ 26 bilhões. A Síria tem uma população de 19,5 milhões de pessoas.

