Isaura Daniel
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São Paulo – O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, discutiu a necessidade de uma linha aérea direta entre o Brasil e a Líbia, ontem (12), com autoridades do país árabe. Amorim esteve na capital líbia, após participar, no domingo, de uma reunião ministerial entre Índia, Brasil e África do Sul, na Cidade do Cabo. Em Trípoli, Amorim foi recebido pelo ministro de Negócios Estrangeiros, Abderrahman Chalgam, e o ministro de Obras Públicas, Abuzeid Omar Dorda. O Brasil vem procurando estreitar as suas relações com o país árabe, que fica no Norte da África.
Segundo a assessoria do Itamaraty, a importância de uma ligação aérea foi um dos temas discutidos. O único vôo direto que o Brasil tem hoje, no mundo árabe, é com Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Amorim também falou com Chalgam e Dorda a respeito de cooperação bilateral e até trilateral. Ou seja, entre os dois países e ainda outra nação, que no caso, seria africana. Com o ministro de Obras Públicas, a discussão girou em torno de envolver na cooperação Líbia-Brasil, também Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
Com o ministro de Negócios Estrangeiros também foi discutida a cooperação multilateral, especialmente nas Nações Unidas (ONU). De acordo com o Itamaraty, Amorim já conhece os dois ministros com os quais se encontrou há bastante tempo. O chanceler brasileiro e Chalgam falaram ainda sobre a participação de empresas brasileiras no mercado líbio. Há possibilidade de maior atuação por lá, principalmente na construção civil. Amorim esteve reunido, inclusive, com representantes da Petrobras e Odebrecht, que operam no país.
A Petrobras está em Trípoli desde 2005 e pesquisa, no país, um bloco offshore, contrato que obteve por meio de uma licitação do governo local. A construtora Queiroz Galvão também opera na Líbia. A atuação das construtoras brasileiras no país árabe envolvem desde infra-estrutura urbana, nas áreas de abastecimento de água, esgoto, drenagem, iluminação pública, telefonia, arruamento e urbanismo, até a construção de aeroportos e obras rodoviárias. Os contratos da Queiroz Galvão, no país árabe, são de US$ 500 milhões, segundo informações fornecidas pela empresa à ANBA.
O ministro de Obras Públicas da Líbia, segundo o Itamaraty, elogiou o esforço de aproximação do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva com os árabes. Lula foi quem teve a iniciativa de organizar a Cúpula dos Países Árabes e Sul-Americanos, cuja primeira edição ocorreu em Brasília, em 2005, e já visitou vários países árabes. Na Líbia, o presidente do Brasil esteve em dezembro de 2003. Desde lá, as relações entre o Brasil e o país árabe cresceram expressivamente, até mesmo na área comercial.
As exportações brasileiras para o país saíram de US$ 52 milhões, em 2003, para US$ 238 milhões no ano passado. Nos quatro primeiros meses deste ano, elas ficaram em US$ 78 milhões. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil para os líbios estão minérios, carnes, açúcar, buteno, fumo e granitos. As vendas da Líbia para o mercado nacional, porém, são muito maiores. O país faturou US$ 530,9 milhões com exportações ao Brasil entre janeiro e abril deste ano. Os produtos são petróleo e naftas.

