Alexandre Rocha
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São Paulo – O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, fará, a partir de amanhã (08), um novo giro pelo Oriente Médio. O chanceler visitou a região diversas vezes desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Segundo informações do Itamaraty, o objetivo é fortalecer a presença do Brasil na região.
“Ele volta à região para restabelecer contatos. É preciso cultivar esta relação, investir um pouco a cada dia, senão ela esfria”, disse à ANBA o embaixador Sarkis Karmirian, chefe do Departamento do Oriente Médio e da Ásia Central (Doma) no Itamaraty. “O Brasil tem interesse em se aproximar cada vez mais desses países”, acrescentou.
A primeira parada será na Arábia Saudita, depois Amorim segue para Síria, Jordânia, Palestina e Israel. A agenda ainda não estava totalmente fechada até ontem (06) no final da tarde, mas a princípio estão previstos encontros com o rei saudita Abdullah bin Abdel-Aziz Al-Saud, o rei Abdullah II, da Jordânia, o presidente sírio Bashar Al Assad, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.
Na Arábia Saudita, o chanceler brasileiro poderá se encontrar também com o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyah. O bloco – formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã – discute a assinatura de um acordo de livre comércio com o Mercosul e o andamento das negociações, iniciadas em 2005, deverá ser um dos temas tratados.
O governo brasileiro pretende manter uma presença intensiva no Oriente Médio e Norte da África este ano. Além da viagem de Amorim, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, deverá visitar países como Arábia Saudita, Argélia, Egito e Irã; e o presidente Lula poderá ir novamente à região.
Na área comercial, durante 2008 vão ocorrer ações de promoção com a participação dos ministérios da Agricultura, Relações Exteriores e Turismo e da Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com apoio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Na seara política, o governo brasileiro quer participar mais ativamente na resolução de conflitos regionais. O Brasil já esteve presente na Conferência de Annapolis, realizada em novembro de 2007 para discutir o conflito entre israelenses e palestinos, na Conferência de Doadores para os Territórios Palestinos, ocorrida em Paris em dezembro do ano passado, e nos encontros internacionais de apoio ao Líbano que ocorreram a partir de 2006.
Balança comercial
Durante a viagem, Amorim deverá tratar também de outros temas da agenda internacional e de questões específicas das relações bilaterais entre o Brasil e os países a serem visitados, entre eles o comércio.
A corrente comercial (exportações mais importações) entre o Brasil e a Arábia Saudita somou US$ 3,2 bilhões no ano passado, um aumento de 2,7% em comparação com 2006. Com a Jordânia, o fluxo de comércio chegou a US$ 292 milhões, um crescimento de 145,7%; com a Síria o total ficou em US$ 205 milhões, 15% a menos do que em 2006; e com Israel a soma das exportações e importações foi de mais de US$ 1 bilhão, 38,3% a mais do que em 2006, sendo que parte deste valor diz respeito ao comércio com os Territórios Palestinos. Israel é o único país não americano com o qual o Mercosul já assinou um tratado de livre comércio, em dezembro de 2007.

