São Paulo – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, começa hoje (22) um giro pelo Norte da África que vai incluir passagens pela Argélia, Marrocos e Tunísia. A viagem tem como objetivos fazer um balanço das relações do Brasil com esses países e discutir novas formas de cooperação bilateral em diferentes áreas.
Hoje e amanhã Amorim estará em Argel. Além de participar da terceira reunião da Comissão Mista Bilateral Brasil-Argélia, que reúne representantes de diversos setores dos dois países, o chanceler vai se encontrar com o presidente, Abdelaziz Bouteflika, com o ministro dos Assuntos Estrangeiros, Mourad Medelci, outros representantes do governo local e empresários brasileiros que atuam no país.
“Ele participará da segunda reunião de consultas política [com o governo argelino] e também assinará atos de cooperação”, disse à ANBA o embaixador brasileiro em Argel, Sérgio Danese.
A Argélia é um dos principais parceiros comercias do Brasil no mundo árabe, sendo grande fornecedora de petróleo ao país e pólo de atração de companhias nacionais na região. Empresas como Randon, de implementos rodoviários, Neobus, de ônibus, e Andrade Gutierrez têm operações no país.
Nos dias 24 e 25 o ministro cumpre agenda no Marrocos. Lá ele participará da reunião da Comissão Mista Bilateral Brasil-Marrocos e vai se encontrar com o primeiro-ministro, Abbas El Fassi, com o chanceler, Taïbi Fassi-Fihri, entre outros representantes do governo.
De acordo com o embaixador brasileiro em Rabat, Carlos Alberto Simas Magalhães, um dos destaques da visita será a assinatura de acordos nas áreas sanitária e de meio ambiente. O tratado na área veterinária abre caminho para a exportação de carnes do Brasil ao Marrocos. Hoje o país árabe não importa carne bovina brasileira e compra muito pouca carne de frango.
Outros temas que deverão ser tratados pelo ministro, segundo Magalhães, são cooperação econômica, comércio, investimentos, transporte aéreo e marítimo, turismo, urbanismo e habitação, agricultura e educação profissionalizante. De acordo com o embaixador, a cooperação nas áreas da cultura e de energia também fazem parte da pauta. “[Os marroquinos] gostariam que a Petrobras prestasse assistência na obtenção de dados geofísicos da plataforma continental do país”, disse o diplomata.
Tunísia
No dia 26 Amorim estará na Tunísia, onde vai se encontrar com o chanceler tunisiano, Abdelwaheb Abdallah. Segundo a embaixadora brasileira em Túnis, Marília Sardenberg Zelner Gonçalves, essa será a primeira reunião de consultas políticas entre os chanceleres dos dois países desde que foi assinado um acordo nessa área em 2002. O ministro brasileiro já esteve no país árabe em 2005, mas para tratar da preparação da Cúpula América do Sul-Países Árabes, que ocorreu naquele ano.
“Uma visita de nível tão alto muda o patamar das relações bilaterais”, disse Marília. Os representantes dos dois governos vão trocar idéias sobre o cenário internacional e sobre as questões das suas respectivas regiões. A embaixadora lembrou que Brasil e Tunísia integram diferentes organismos multilaterais regionais.
“Eles vão passar em revista as relações de cooperação bilateral, que estão aquém do potencial que existe e que poderia ser explorado”, afirmou a embaixadora. Paralelamente aos encontros ministeriais, diplomatas dos dois países vão se reunir para avaliar o que pode ser feito para ampliar esse relacionamento.
Segundo Marília, da parte brasileira já foram escolhidas três áreas que podem ser alvo de acordos de cooperação: agricultura, educação e energia. “Nós acreditamos que essas áreas serão de interesse deles também”, declarou.
Ela lembrou que a Tunísia tem bons indicadores sociais, com apenas 4% da população abaixo da linha de pobreza, sendo que 80% das pessoas têm casa própria. Além disso, a economia do país tem crescido de maneira vigorosa: 6,3% no ano passado e uma previsão de 7% para 2008.
O país, no entanto, é bastante ligado à Europa, sendo que no início deste ano foram zeradas as tarifas constantes do acordo de associação que a Tunísia tem com a União Européia. “Nosso desafio é mostrar que o Brasil é uma alternativa viável de parceria. Além disso, a Tunísia pode ser uma porta de entrada para o Brasil na África, especialmente no Magreb”, afirmou a diplomata.
Ela disse, por exemplo, que não existem empresas brasileiras instaladas na Tunísia, mas o país vem recebendo grandes investimentos na área imobiliária, especialmente dos países do Golfo Arábico, e que isso representa uma oportunidade para companhias que queiram atuar no país.
Marília ressaltou que há muita simpatia pelo Brasil na Tunísia, e isso ficou demonstrado, segundo ela, em uma série de eventos culturais promovidos pela embaixada em Túnis, incluindo apresentações de diferentes gêneros musicais brasileiros e exposições de artes plásticas. Os eventos foram abertos ao público em geral e “tiveram uma acolhida muito boa”. Em abril o próprio ministro da Cultura, Gilberto Gil, deu um show no país. Ele foi, no entanto, a convite dos próprios tunisianos.
“Nós temos um acordo cultural com a Tunísia válido de 2006 a 2009 e esse intercâmbio cria as bases de um interesse que vai se diversificar”, disse Marília. “Fique muito feliz com essa experiência”, concluiu ela, que em julho deixa a Tunísia para assumir a embaixada do Brasil na Eslováquia.

