Trípoli – A construtora Andrade Gutierrez acaba de conseguir três contratos na Líbia no valor de US$ 600 milhões. Com isso ela se tornará a terceira grande empreiteira brasileira a ter obras no país árabe, além da Odebrecht e da Queiroz Galvão. A informação foi dada nesta terça-feira (30) à ANBA pelo diretor de Relações Institucionais da companhia, Flávio Machado.
O executivo está na Líbia para acompanhar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com ele, os contratos dizem respeito a projetos de infra-estrutura urbana nas redondezas de Trípoli e envolvem de saneamento a obras viárias. São os primeiros negócios da empresa no país. Ela tem atuação em outras nações do Norte da África, como Argélia e Mauritânia.
Segundo Machado, a empresa começou a buscar oportunidades na Líbia há cerca de um ano e já instalou um escritório local. “Estamos participando também da licitação para construção do metrô de superfície de Trípoli”, afirmou. “Somos a única empresa brasileira nesse processo”, acrescentou.
As áreas de infra-estrutura e construção civil estão entre as mais promissoras desde que a Líbia começou um processo de abertura econômica no início da década, financiado principalmente pela produção de petróleo.
O embaixador brasileiro em Trípoli, Luciano Ozório Rosa, disse, por exemplo, que hoje oito novos hotéis estão sendo erguidos em Trípoli. A área comercial da cidade, próxima à orla e ao centro histórico, está repleta de canteiros de obras viárias e edifícios em construção.
Na avaliação de brasileiros que atuam no ramo, como o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, também em visita ao país, novas oportunidades devem surgir. A empresa, que está há mais tempo na Líbia, é responsável pela construção de um anel viário e do novo aeroporto de Trípoli, que o governo local quer transformar em um centro de conexões entre a Europa e a África.
Marcelo Odebrecht destacou que a Líbia, com cerca de seis milhões de habitantes, tem hoje a renda per capita mais alta da África e, como conseqüência, grande demanda no ramo de construção.
Sem crise
O empresário disse ainda que seu setor foi pouco afetado pela crise financeira internacional. Ele ressaltou, por exemplo, que a Odebrecht contratou cerca de 15 mil funcionários desde o recrudescimento da crise, no segundo semestre de 2008, e 10 mil somente este ano.
Na mesma linha, Flávio Machado afirmou que o faturamento da Andrade Gutierrez em 2009 deverá superar o do ano passado. Ele explicou que as grandes construtoras brasileiras atuam principalmente em nações em desenvolvimento, menos atingidas pela crise do que as economias centrais.
O embaixador Luciano Rosa acrescentou que o setor petrolífero continua aquecido, com 45 empresas internacionais atuando no país. Ele ressaltou que o custo de produção local em terra é baixo, em media cerca de US$ 5 por barril.
Entre essas companhias está a Petrobras, que busca petróleo em alto mar na costa líbia, num contrato, segundo o embaixador, com duração de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco, e, no caso de encontrar a commodity, a empresa terá direitos de produção por 25 anos.

