São Paulo – O número de refugiados, deslocados internos e solicitantes de asilo deverá atingir o recorde de 60 milhões de pessoas neste ano, de acordo com o mais recente Relatório de Tendências Semestral divulgado nesta sexta-feira (18) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) em Genebra, na Suíça. Segundo o documento, a Síria, país que está em conflito desde 2011, é o principal gerador de deslocados e o Líbano, o principal receptor de refugiados em comparação ao tamanho da sua população. Em números absolutos, a Turquia é o principal receptor.
O relatório do Acnur consolida os dados entre janeiro e junho deste ano e, com base neles, faz as projeções para todo o período de 2015. Neste cálculo até junho havia 20,2 milhões de refugiados, a maior quantidade desde 1992. Já o número de solicitantes de asilo foi 78% maior do que entre janeiro e junho do ano passado e alcançou 993,6 mil pessoas. A quantidade de deslocados internos saltou em dois milhões de pessoas até junho de 2014 para um total de 34 milhões.
“Previsões com base na primeira metade do ano sugerem que 2015 está a caminho de ver o total de deslocados forçados no mundo inteiro exceder 60 milhões pela primeira vez. Em um contexto global, significa que uma a cada 122 pessoas foi forçada a deixar seu lar”, afirma o Acnur sobre o documento. Em 2014, houve 59,5 milhões de pessoas nesta condição. “Os deslocamentos forçados estão afetando nossa era profundamente. Eles afetam as vidas de milhões de nossos companheiros – tanto daqueles que são forçados a se mudar como daqueles que lhes fornecem abrigo e proteção”, afirmou o alto-comissário para os refugiados, António Guterres.
No primeiro semestre, 839 mil pessoas foram obrigadas a deixar não apenas sua casa, mas também o país em que viviam. Segundo o relatório, a Síria se manteve como o principal gerador de refugiados e de deslocados internos. Até a metade do ano, a população de deslocados da Síria atingia 4,2 milhões de pessoas. No período reportado, a quantidade de refugiados sírios cresceu em 300 mil.
Até junho, a Turquia foi o país que mais recebeu sírios: 1,8 milhão e próximo de atingir 2,2 milhões em dezembro. O Líbano recebeu 1,2 milhão de sírios e a Jordânia, 628,8 mil, seguida por 251,3 mil que foram para o Iraque e 131,9 mil que se refugiaram no Egito. O Líbano recebeu 208 refugiados para cada mil habitantes.
O conflito na Síria não foi, contudo, o único gerador de um grande fluxo de deslocados. O Acnur cita guerras no Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Afeganistão, Burundi, Mali, Ucrânia e Somália entre aqueles que contribuíram para a tendência de aumento de refugiados, deslocados e solicitantes de asilo.
O documento ressalta que o grande aumento de refugiados para a Europa é refletido apenas em parte neste estudo, pois o fluxo de refugiados cresceu de forma mais acentuada no segundo semestre. Mesmo assim, a Alemanha foi o país que mais recebeu pedidos de asilo: 159 mil em seis meses, quase a mesma quantidade do que em todo o ano de 2014. Em segundo lugar nesta conta aparece a Rússia, com 100 mil pedidos, a maioria de refugiados atingidos pelo conflito na Ucrânia.


