Porto Alegre – Nabil Shaath, comissário de Relações Internacionais do partido Fatah e representante do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou que gostaria que o Fórum Social Mundial Palestina Livre desse origem a um comitê permanente da sociedade civil em apoio à causa palestina. Shaath participou nesta quinta-feira (29) da primeira plenária do evento, que ocorre em Porto Alegre.
“Talvez alguém que eu gosto muito aceite presidir este comitê. Alguém chamado [Luiz Inácio] Lula da Silva”, destacou o palestino, em referência ao ex-presidente do Brasil. “Se ele se tornasse um porta-voz internacional pela paz, tenho certeza de que ajudaria bastante, mas isto não está em nossas mãos”, afirmou.
Para reforçar a ideia de um fórum permanente, Shaath deu um exemplo para mostrar a importância do apoio popular em questões internacionais. “Quero lembrar que o apartheid na África do Sul foi derrotado por meio do povo e não de governos oficiais. Os povos no mundo inteiro se manifestaram contra aquele regime racista e segregacionista.”
Shaath veio ao evento no lugar de Abbas, que está em Nova York para uma votação na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas que decidirá se a Palestina passará a ser um estado não membro da organização.
“Penso que teremos os votos. Isto nos dará um apoio internacional e nos permitirá participar de organizações internacionais, incluindo a Corte Internacional de Justiça e a Corte Penal Internacional”, ressaltou.
Sobre as negociações de paz com Israel, o representante palestino destacou que elas estão paradas devido à não implementação, pelos israelenses, de termos acordados anteriormente entre as duas partes.
“Todo primeiro-ministro de Israel quer começar [a negociar] do zero”, reclamou. “O [Binyamim] Netanyahu tem novas condições agora. Ele quer que nós reconheçamos Israel como um estado Judeu, apesar de haver 1,5 milhão de palestinos cristãos e muçulmanos que são cidadãos de Israel. Nós reconhecemos Israel como estado, mas não como um estado judeu”, explicou.
“Ele também quer que nós aceitemos que os soldados israelenses permaneçam por mais cem anos depois de nos tornarmos independentes, ocupando a maior parte do país. Nós não podemos aceitar isto. Isto não é parte do acordo, e negociar sob estas condições é impossível. Isto fere nosso povo e permite a Israel criar novos assentamentos, expropriar mais terras, tomar nossa água. A gente negocia a terra por paz e eles tomam esta terra enquanto negociamos a paz”, disse.
Painel
Arnaldo Carrilho, ex-embaixador brasileiro na Palestina, também participou da plenária e destacou a relevância dos problemas enfrentados pelos palestinos. “A questão palestina é a número um no Oriente Médio”, afirmou.
Naser Al-Rayyes, advogado e ativista da organização de direito Al-Haq, reclamou do não cumprimento por Israel das leis internacionais. “Israel violou todos os termos da Convenção de Genebra”, disse.
Sahar Francis, diretora da organização Addameer, que luta pelos direitos de prisioneiros, afirmou que Israel já fez mais de 700 mil prisioneiros políticos desde 1967. “Israel considera todo tipo de manifestação [pró-Palestina] como crime”, afirmou. “Presos já morreram nas cadeiras por agressões ou negligência à saúde”, contou.
Charlote Kate, membro do Movimento de Solidariedade ao Povo Palestino no Canadá, apontou a incapacidade da comunidade internacional em fazer com que as leis penais sejam aplicadas aos israelenses e criticou a posição dos Estados unidos em relação à ocupação. “O apoio dos Estados unidos tem dado condições às violações de Israel”, disse.

