São Paulo – Os encontros de negócios entre empresários árabes e brasileiros realizados na feira de supermercados Apas, que terminou ontem (21), em São Paulo, renderam pedidos. O grupo Al Maya, dos Emirados Árabes Unidos, fechou a compra de quatro contêineres de arroz da marca Tio João. A companhia do Iêmen, Al Saeed, volta para casa com negócios encaminhados nos setores de lácteos e biscoitos.
Os representantes da Al Saeed, que já importavam commodities do Brasil, foram visitar as fábricas da Itambé, de lácteos, e da Bauducco, de biscoitos. No caso da Itambé, os contatos já tinham sido realizados desde o ano passado. “Após essa participação na feira, os empresários árabes devem começar a importar produtos que antes só eram comprados da Europa e da Ásia”, afirmou a coordenadora do departamento de Comércio Exterior da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Francisca Barros.
De acordo com ela, os negócios fechados na feira comprovam que as rodadas de negócios, que foram organizadas pela Câmara Árabe e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), foram positivas. “Porque normalmente leva-se um bom tempo para concretizar um negócio”, acrescentou.
As rodadas de negócios foram uma continuação do projeto Sabores do Brasil, realizado pela Apex, em Dubai, no início do ano. “O resultado dos encontros foi excepcional porque conseguimos não deixar esfriar o relacionamento entre os árabes e brasileiros iniciados no Sabores do Brasil”, afirmou o gestor de projetos da Apex, Vinícius Estrela. Segundo ele, os árabes puderam conhecer melhor os produtos brasileiros na feira, o que facilitou nas negociações. “Eles passaram a conhecer melhor o parceiro Brasil”, acrescentou.
Durante os encontros, a gerente de marketing da Câmara Árabe, Andréa Monteiro, pode perceber que os árabes ficaram impressionados com a qualidade e diversidade dos produtos brasileiros. “Eles buscavam desde commodities a produtos ‘gourmet’”, disse ela. Um exemplo disso foi a empresa Jordan Centre for Trade and Investment (JCT&I), da Jordânia, que tem uma loja de 5 mil metros quadrados em Amã, capital, de produtos voltados para classe alta. “Esta é minha primeira vez no Brasil. Estou impressionado com a diversidade do mercado”, disse o CEO do grupo, Imad Bukhari.
O grupo, que ainda não importa do Brasil, pretende começar a importar alimentos orgânicos. “Acredito que vamos negociar com algumas empresas que fizemos contatos”, disse Bukhari. Segundo ele, todas as empresas brasileiras demonstraram muita vontade de começar a exportar para o Oriente Médio, mas nem todas estão preparadas. “É preciso que as empresas trabalhem mais na apresentação dos produtos, principalmente embalagens”, afirmou. “Temos que passar confiança aos consumidores árabes, que não conhecem os produtos brasileiros”, acrescentou.
Entre os exemplos de produtos brasileiros com boa apresentação, Bukhari citou os do grupo Franco Suissa, de chás, açúcar, pimentas em conserva, molhos, geléia e doce de abóbora. O grupo, que só trabalha com produtos orgânicos e naturais, ainda não exporta para o mercado árabe. “As conversas foram bem promissoras”, afirmou a coordenadora de produtos, Heloisa Xocaira.
Entre as 70 empresas brasileiras que estiveram no estande da Câmara nos três dias evento para falar com os empresários árabes, estava a Tirolez, de queijos e derivados. Segundo o gerente de exportação da empresa, Paulo Hegg, a Tirolez já exporta para oito países, entre eles Líbia e Líbano. “Estou interessado em abrir mercado no Golfo”, disse. Outra empresa presente foi a Pacific, trading de doces, bolos, biscoitos e torradas. “As rodadas foram bem interessantes. Agora é prospectar”, afirmou o trader Fabiano Fusco.

