São Paulo – A Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) acaba de lançar um amplo estudo sobre o mercado de produtos para casa e construção nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). A pesquisa tem por objetivo subsidiar as empresas brasileiras interessadas em exportar para a região, especialmente as que vão participar da Big 5 Show, feira do ramo que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro.
O trabalho de 127 páginas, realizado pelo núcleo da África e Oriente Médio da Unidade de Inteligência Comercial da Apex, destaca os segmentos mais promissores para os exportadores brasileiros. Entre eles estão os de rochas ornamentais, cerâmicas, artefatos de matais não-ferrosos, como fechaduras e metais sanitários, e de iluminação.
De acordo com o consultor do núcleo da Apex, João Ulisses Rabelo Pimenta, o crescimento e a diversificação das economias do GCC, aliados a um alto grau de abertura comercial, criam oportunidades para a entrada dos produtos brasileiros. O bloco é formado por Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Omã e Kuwait.
A Apex recomenda especial atenção aos mercados da Arábia Saudita e dos Emirados. O primeiro pelo fato de ter a maior economia e ser o mais populoso da região, e o segundo por ser um importante centro de comércio exterior.
Na seara das rochas ornamentais, segundo Pimenta, as exportações brasileiras para o GCC aumentaram em 96% de 2006 para 2007. No caso dos Emirados as vendas aumentaram em média 45% de 2001 a 2006 e, para a Arábia Saudita, quase 20% em média por ano no mesmo período.
A participação brasileira nesses mercados, no entanto, ainda é pequena em comparação com seus concorrentes. Nos Emirados, por exemplo, o Brasil aparece como 10° principal fornecedor, atrás de Itália, Índia, Espanha, China, Grécia, Turquia, Portugal, Estados Unidos e Alemanha. Na Arábia Saudita o Brasil vem em 12°.
Ao contrário de ser um fator ruim, a participação ainda baixa dos produtos brasileiros, aliada a uma demanda crescente na região, significa que ainda há muito espaço para ampliar as exportações. Segundo a pesquisa da Apex, as mercadorias mais promissoras nessa área são os granitos trabalhados.
Cerâmicas, metais e iluminação
No ramo de cerâmicas, segundo o estudo, a China domina o mercado da região. Pimenta destaca, porém, que “as exportações brasileiras cresceram de forma excepcional na média do período de 2001 a 2006, embora com baixo volume de negócios”. A Apex ressalta que a tendência de crescimento das vendas foi revertida nos últimos dois anos, o que torna necessária a adoção de uma estratégia para retomar o crescimento.
A idéia nesse caso, de acordo com o estudo, é explorar os pontos fortes dos produtos brasileiros e as fragilidades dos concorrentes. A pesquisa aponta como promissoras mercadorias como ladrilhos e artigos semelhantes de cerâmica, vidrados ou não, esmaltados ou não.
Já o setor de metais, de acordo com a Apex, destina apenas 5% de sua produção ao mercado externo e o GCC pode representar uma boa opção para ampliar as vendas. Segundo o estudo, as exportações brasileiras para lá estão em crescimento e alcançaram um resultado expressivo no ano passado, mas ainda têm uma participação pequena em comparação com as de outros fornecedores.
Nesse segmento, a pesquisa indica como produtos mais promissores as torneiras e outros dispositivos semelhantes para canalizações, caldeiras, reservatórios, cubas e outros recipientes.
Na seara dos itens para iluminação o estudo aponta que as vendas brasileiras ainda não são expressivas, mas estão crescendo. Houve um aumento de 220% nas exportações aos Emirados em 2007 e de 90% à Arábia Saudita, o que mostra um potencial a ser explorado. A Apex afirma que há possibilidades também para outros materiais como aquecedores de água não elétricos.
Um diferencial a ser explorado nesse setor são os produtos econômicos no uso de energia e que causam menor impacto ambiental.
Tarifas
A pesquisa ressalta ainda que a tarifa média para as importações no GCC é baixa, sendo que o menor imposto é o aplicado pelo Kuwait (3,7%) e o maior é do da Arábia Saudita (5,86%).

