Geovana Pagel
São Paulo – O mercado nacional de água de coco gira em torno de 600 milhões de litros ao ano. O desenvolvimento de máquinas para extrair a água do fruto e de tecnologia de envase fez o setor se expandir rapidamente a partir da década de 1990. As vendas do produto brasileiro em embalagem longa vida dobraram nos últimos cinco anos, saltando de 60 milhões para 120 milhões de unidades.
As exportações do produto representam menos 10% do total produzido, mas os especialistas do setor estão bastante otimistas. “Há muito mercado para ser conquistado por este produto tipicamente brasileiro”, afirmou Denis Ribeiro, diretor econômico da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Segundo ele, a entidade tem parceria com a Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex-Brasil) e está sempre participando de feiras internacionais. Em dezembro do ano passado, por exemplo, representantes da Abia participaram da Semana do Brasil em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. "Os países árabes ainda não estão entre os importadores, mas acredito que isto deve mudar em pouco tempo", apostou.
Nos últimos 10 anos o setor tem registrado um crescimento interno no consumo de água de coco de mais de 20% ao ano. "Acreditamos que o futuro está em investir no aumento da conservação do produto, embalagens seguras e marketing, principalmente no exterior”, garantiu o diretor.
Os maiores fabricantes nacionais já perceberam que o mercado está crescendo. O grupo Socôco, que nasceu em Alagoas em 1966 e produz 3,8 milhões de litros de água de coco/ano, tem investido principalmente na marca Kero-Coco. “Nos últimos três anos investimos cerca de R$ 4 milhões na unidade de Petrolina (PE), inaugurada a cerca de um ano e meio, e geramos cerca de 250 novos empregos”, contou LeonardoTenório, gerente de exportações da empresa.
O grupo tem na fazenda Socôco, com 5 mil hectares, uma das maiores produtividades mundiais do fruto: 120 cocos por árvore/ano, três vezes mais que a média brasileira, que é de 40 frutos/ano por coqueiro. Dos 800 mil pés de coco cultivados, cerca de 75% estão em fase de produção, o que garante mais de 70 milhões de frutos por ano ou 15 toneladas/dia.
Tenório explicou que as vendas externas da água de coco começaram há cerca de nove anos. “Japão, Estados Unidos, Europa e países da América do sul são nossos principais mercados alvos. Porém, temos interesse em novos mercados como os países árabes”, afirmou.
A Água de Coco da Amazônia (Amacoco), joint-venture entre a Socôco e o grupo mineiro Regon, investiu R$ 20 milhões na construção de uma fábrica de envase de água de coco em embalagem tetra pak. Essa embalagem dá ao produto validade de oito meses fora da geladeira.
Responsável por 70% do mercado nacional de água de coco envasada, a Amacoco vai adicionar ainda este ano, com a nova fábrica, 500 mil litros/mês à produção de 2 milhões/mês da outra unidade fabril da empresa, localizada no Pará.
A Amacoco, criada em 1995, exporta água de coco há 5 anos, principalmente para Estados Unidos, Japão, Jamaica, Portugal, França, Inglaterra, Puerto Rico e África. No total a empresa produz 15 milhões de litros e exporta 750 mil litros. Possui duas fábricas, uma em Belém e outra em Petrolina, e emprega 220 pessoas.
Maior produtividade
A expansão da industrialização reflete ainda o grande aumento da produção do coco-anão, variedade específica para a produção de água de coco. Hoje o país possui 90 mil hectares de área plantada, três vezes mais do que há cinco anos, dos quais menos de 50% estão em produção efetiva. Isso significa dizer que a produção nacional, que em 1999 era de 280 milhões de unidades, em 2005 poderá chegar a 1 bilhão de cocos por safra.
O coqueiro continua sendo cultivado com predominância no litoral da região Nordeste. Contudo, a espécie está se expandindo para as regiões Norte, Centro-Oeste e partes das regiões Sul e Sudeste, e o semi-árido nordestino. As variedades mais importantes são a Gigante (Typica) e Anã (Nana).
O Híbrido é resultado de cruzamento entre essas variedades. Segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Coco (Abrascoco), 70%, 20% e 10% dos coqueirais são plantados com a Gigante, Anão e Híbrido, respectivamente.
Segundo o pesquisador Wilson Aragão, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju-SE), o coco híbrido pode oferecer diversas vantagens em relação às outras duas variedades, em situação de boa condição agroecológica de plantio. Ela apresenta maior produtividade de polpa (8,5 a 9 toneladas por hectare) em relação ao Anão (8 toneladas pro hectare) e a Gigante (3,5 a 5 toneladas por hectare).
Da mesma forma, concentra mais água (10 mil a 12 mil litros pro hectare) e maior produtividade de fruto (20 mil a 24 mil frutos por hectare) que os 5 mil a 7 mil litros por hectare e 8.500 a 11.500 frutos por hectare da Gigante. Em relação à Anã, o Híbrido tem a vantagem de possuir uma planta mais vigorosa, com maiores produções de água (500 ml/fruto contra 300 ml/fruto) e de polpa (350 a 400g/fruto contra 200g/fruto, em média).
A Bahia está em primeiro lugar
A Bahia é o maior produtor de coco do país. O estado possui uma área cultivada de 80 mil hectares de coco e produção anual superior a 250 milhões de frutos. Esta produção contribui com mais de R$ 80 milhões para a composição do Valor Bruto da Produção (VPB) Agrícola e gera cerca de 240 mil postos de trabalho.
No ranking mundial, o Brasil é o quinto produtor da fruta, antecedido por Filipinas, Indonésia, Índia e Sri Lanka.
O país colheu no ano passado, em uma área de 247,9 mil hectares, cerca de 1,16 milhão de frutos, sendo que 879 mil saíram do Nordeste. A produtividade na Bahia é de 5.212 frutos por hectare.

