Cairo – As empresas nacionais que participaram do Brazilian Festival apostam na concretização de negócios com importadores egípcios, após o evento de promoção de produtos brasileiros realizado de terça até esta sexta-feira (09) na capital do país árabe. O festival foi uma iniciativa da Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com a embaixada do Brasil no Egito.
“Nossa ideia era conhecer a realidade do país e ficamos impressionados com a demanda, principalmente do governo”, disse José Augusto Carrer, do Departamento de Exportação do Nicolini, frigorífico que exporta carne de frango. Ele informou que deixa o Egito com um negócio “praticamente fechado” com um importador local.
Janeiara Emer Balbinot, também do Departamento de Exportação do Nicolini, contou que o Oriente Médio é o principal mercado da indústria no exterior, mas a empresa não vende atualmente ao Egito, embora tenha feito isso no passado.
Na mesma linha, a gerente de exportação da Alibra, Débora Lapa, afirmou que conseguiu conhecer bem o mercado e que há possibilidades de negócios nas áreas de produtos para o varejo e de ingredientes para a indústria alimentícia. “Tenho grandes expectativas de trazer negócios para um distribuidor [local]”, destacou. A tarefa agora é negociar os preços.
A Alibra produz uma série de insumos para a indústria alimentícia, mas também itens de prateleira como farinha láctea, achocolatados, mingaus de arroz e de milho, entre outros.
O presidente da Genuína, marca da empresa de águas Lindoya, Martin Ruette, avalia que existem “muitas possibilidades de fazer negócios” no mundo árabe. Ele ainda não exporta para a região, mas vai receber a visita de um empresário que encontrou no festival em sua fábrica no Brasil, que quer conhecer seu processo de produção. “As portas estão se abrindo para se conhecer melhor o mercado”, ressaltou.
Ruette quer introduzir no mundo árabe um produto que desenvolveu chamado Acquafibra, que são águas com sabores de frutas adicionadas de fibras. O fabricante informa que a bebida traz uma série de benefícios para a saúde.
O trader da Suavetex, indústria de produtos para higiene bucal, Carlos Souza, reiterou que veio ao Egito para conhecer o mercado e tentar identificar oportunidades. Ele acredita na possibilidade de negócios, mas terá que fazer adaptações em seus produtos, como alterar o tamanho das embalagens, a rotulagem e pesquisar os ingredientes usados nos cremes dentais dos egípcios para atender ao gosto local.
No Brasil, a Suavetex produz pasta de dentes sob licença da Oral-B e com a marca Contente, que é da própria empresa. Ele disse que conheceu empresários que mostraram grande interesse no produto e que estão dispostos a desenvolver um projeto em conjunto.
O Brazilian Festival contou com dois dias de rodadas de negócios entre empresas brasileiras e egípcias, no Cairo, e com um estande no hipermercado Hyper One para divulgação das mercadorias aos consumidores, na cidade de 6 de Outubro, na região metropolitana do Cairo.
Avaliação
“Qualitativamente e quantitativamente, o evento foi muito interessante para as empresas”, observou o vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara Árabe, Rubens Hannun, que acompanhou o grupo no Cairo. “Os brasileiros formam um grupo muito bom, sério, focado, e a maioria busca o mercado egípcio pela primeira vez. Mesmo que não tenham fechado negócios imediatamente, só a base de conhecimento adquirido e a continuidade dos contatos valem muito”, destacou.
O executivo acrescentou que o evento teve boa repercussão no Cairo. Ele próprio deu entrevistas para seis veículos de imprensa locais, e a abertura do festival no Hyper One teve forte presença de personalidades como diplomatas, representantes do governo e empresários. “Isso deu muito prestígio para o Brasil”, comentou.
O Brazilian Festival foi a primeira ação neste modelo promovida pela Câmara Árabe e, segundo Hannun, serviu de teste para a realização de eventos semelhantes em outros países árabes. “Tem tudo para acontecer de novo, vamos fazer acontecer, já que começamos, temos que dar continuidade”, ressaltou. Além de mostrar os produtos aos consumidores, o programa permite que os fabricantes negociem com importadores para que as mercadorias de fato cheguem às prateleiras.
Hannun teve também uma série de reuniões com órgãos do governo e entidades empresariais do Egito e costurou a realização de outros eventos no futuro próximo e de possíveis parcerias. “Parece que isso tudo aconteceu num momento propício para as relações do Brasil com o Egito. Eles (os egípcios) passam por um momento de procura por parcerias [internacionais] e veem o Brasil como um exemplo a ser seguido”, declarou.
Os órgãos estatais e entidades querem conhecer mais profundamente desde programas sociais brasileiros, a forma como o País controlou a inflação e estabilizou a economia, sua tecnologia agrícola e também o sistema de certificação de origem online desenvolvido pela Câmara Árabe.


