Dubai – Com a valorização do real em relação ao dólar, o mercado internacional não está fácil para os exportadores brasileiros, principalmente frente a concorrentes de peso como chineses e indianos. Para emplacar seus produtos, os expositores do pavilhão do Brasil na Big 5 Show, feira da construção que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, apostam na exclusividade.
"Para concorrer com a China e a Índia tem que ser com um produto bem diferente", disse Claudio Lyrio, da Santa Clara Pedras Ornamentais, nesta terça-feira (23), segundo dia da mostra. Como exemplo, ele mostrou placas de ônix azul extraídas de pedreiras próprias e iluminadas por trás. "[Os clientes] gostam muito desse jogo de luz, de trabalhar com material translucido", declarou.
A empresa de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, participa da Big 5 pela terceira vez. "O mercado ainda está se recuperando da crise, mas dá para sentir que houve uma melhora em relação ao ano passado", afirmou Lyrio. A Santa Clara exporta regularmente ao Oriente Médio.
Ele ressaltou, porém, que atualmente os importadores estão em busca de materiais mais baratos, como os fornecidos por chineses e indianos, daí a necessidade de apresentar produtos que os concorrentes não têm. "Temos que trabalhar com esse diferencial, não dá para fazer guerra de preços", destacou. Além do real valorizado, o custo da mão-de-obra e do frete torna as mercadorias brasileiras mais caras.
Na mesma linha, Sílvia Malenza e Marco Aurélio Netto, da Mineração Corcovado, de Serra, também no Espírito Santo, afirmam que o mercado internacional de granitos "continua a existir", mas houve perda de competitividade das empresas brasileiras por causa da desvalorização do dólar. "Então, tentamos trazer material exclusivo", disse Sílvia.
A companhia produz blocos e placas de granito e forneceu material para a empresa que fez o piso do Terminal 3 do Aeroporto de Dubai. Ela sempre foi voltada ao mercado externo, mas agora está investindo nas vendas no Brasil para tentar minimizar as perdas internacionais.
Netto acrescentou, porém, que, na Big 5, já recebeu muitos contatos e pedidos de cotações. "Mas não temos noção do que será efetivamente concluído", afirmou.
O real valorizado tem sido um problema também para o GCM Trade, consórcio de exportadores de madeira do Paraná formado com foco inicial no Oriente Médio. De acordo com o representante do grupo, Gustavo Milazzo, os empresários do ramo apostaram muito na relação custo/benefício para vender seus produtos, mas com o real valorizado a saída tem sido investir em itens acabados para ter algum diferencial, como batentes de portas e rodapés. "Isso está começando a dar algum resultado", declarou Milazzo.
Desde que começou a prospectar o mercado da região, e tendo participado de duas edições da feira Dubai Wood Show, o consórcio exportou mercadorias para o Afeganistão, Síria e Líbano. "Há muito potencial e fizemos bons contatos", afirmou Milazzo. No seu caso, os principais concorrentes são chilenos e fornecedores do Leste Europeu.
A concorrência dos chineses ainda não é um problema também para a Top Telha, fabricante de telhas cerâmicas de Leme, no interior de São Paulo. A empresa exporta para 10 países e tem nos espanhóis e italianos seus principais concorrentes. Segundo o gerente de exportação, Fernando Frugis, contra os europeus é possível levar vantagem no preço.
Mesmo assim, ele apresenta um produto diferente, uma telha banhada com silicone, ou seja, impermeabilizada. Frugis joga água no material para mostrar que ele não encharca. A Top Telha expõe pela primeira vez na Big 5.
"Estou fazendo bastante contatos e recebi promessas de importação", disse. "Mas estão aparecendo mais negócios de outros países, não dos Emirados”, acrescentou. Como exemplo, ele citou visitantes do Catar, Paquistão e Índia.
Quem participa pela primeira vez da feira também é a Tecnoflash, que fabrica um "climatizador evaporativo", máquina semelhante a um ventilador que ajuda a reduzir a temperatura do ambiente usando vapor d’água. Ela é mais uma que sofre com a concorrência chinesa.
"A competitividade chinesa é muito forte", afirmou o diretor de vendas internacionais, Bruno Dalla Fina. "O resultado é que todo mundo fala da falta de qualidade [dos produtos] da China, mas adora o preço chinês", acrescentou.
A empresa da Itatiaia, no Rio de Janeiro, já exporta e, em Dubai, de acordo Dalla Fina, o ideal seria ter um distribuidor. Ele não descarta também desenvolver algum novo produto, mais simples, para oferecer ao mercado do Oriente Médio e concorrer com os chineses.

