São Paulo – As compras de empresas brasileiras por estrangeiras e de estrangeiras por brasileiras fora do território nacional atingiram níveis recordes em 2015, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (13) pela consultoria KPMG no Brasil. De acordo com o documento, foram realizadas 296 compras de empresas brasileiras por estrangeiras no ano passado, um aumento de 2% sobre o resultado de 2014. Houve aumento de 50% sobre 2014 nas transações em que companhias nacionais adquiriram empresas no exterior. Foram 66 negociações deste tipo, segundo a KPMG.
Em comunicado divulgado pela consultoria, o sócio da KPMG Luis Motta, afirmou que o cenário econômico atual e a desvalorização do real em relação às moedas estrangeiras podem ter “acelerado” a entrada e a expansão das companhias do exterior no Brasil. Ele também observou que as empresas locais perderam valor, o que compensou até a piora nas expectativas de crescimento do Brasil.
“Por outro lado, parte das empresas brasileiras buscaram expandir seus negócios em países em que percebem uma perspectiva econômica melhor e um risco menor, ainda que em alguns casos pagando um preço maior decorrente da perda de poder aquisitivo do real”, afirmou Motta no comunicado da KPMG.
Segundo os dados da KPMG, em 2015 houve 773 acordos de compra e venda de empresas no mercado nacional ou que envolveram empresas brasileiras, um volume 5,5% menor do que o registrado em 2014 e o menor patamar desde 2010. As negociações entre empresas brasileiras somaram 269 transações. Em 2014, houve 331 acordos domésticos.
Segundo Motta, a redução das negociações em 2015 é resultado de menor capacidade financeira das empresas. Ele afirmou que o ritmo dos negócios diminuiu no último semestre de 2015.
A pesquisa analisou 43 setores da economia. Tecnologia da Informação foi o que registrou mais aquisições entre empresas, 121 no total. Foi seguido por empresas de internet, com 70 operações e pelo segmento de alimentos, bebidas e tabaco, que teve 65 negociações concretizadas.


