Alexandre Rocha
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São Paulo – O mercado árabe responde hoje por 17% das exportações brasileiras de carne bovina, atrás apenas da Rússia (27%) e da União Européia (19%). As vendas externas do produto renderam US$ 4,1 bilhões de janeiro a novembro, um aumento de 13,85% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados ontem (10) pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes.
De acordo com Pratini, mercados do Oriente Médico, como Emirados Árabes Unidos e Catar, estão começando a importar carnes mais nobres, como ocorre na União Européia. Segundo ele, de um modo geral o Brasil está exportando produtos de maior valor agregado, fato que, aliado à demanda, fez com que o preço médio da carne brasileira no mercado internacional aumentasse 12,6% este ano. Tanto que o volume embarcado cresceu menos do que as receitas. De janeiro a novembro, foram exportadas 2,37 milhões de toneladas, 8% a mais do que no mesmo período do ano passado.
“Se o preço não aumentasse não teríamos como sobreviver à taxa de câmbio”, disse ele, referindo-se à forte valorização que o real teve frente ao dólar norte-americano nos últimos anos. “E o mercado está aceitando os preços maiores, mesmo países em desenvolvimento, cujas economias estão crescendo mais e o consumo também pode crescer mais”, disse.
Para Pratini, o Brasil não pode ser “eternamente um exportador de commodities com preços fixados lá fora”. “Temos que valorizar nosso produto, oferecer mercadorias cada vez mais diferenciadas, como carnes resfriadas e cortes nobres, como filé mignon, contra-filé e picanha”, ressaltou.
E a demanda também está forte no mercado interno. Segundo Pratini, este ano o consumo no Brasil aumentou, em média, em um quilo por habitante, sendo que 75% da produção nacional é consumida por brasileiros. “O maior ativo da sociedade brasileira é o próprio mercado brasileiro”, disse.
No topo da lista
Países árabes figuram entre os principais compradores de carne in natura, carne industrializada e miúdos. O Egito é o segundo maior importador do produto in natura e adquiriu o equivalente a US$ 318 milhões de janeiro a novembro, uma redução de 6,5% em relação ao mesmo período de 2006. As compras da Argélia somaram US$ 95 milhões – um aumento de 1,32% – e as da Arábia Saudita chegaram a US$ 84,3 milhões, 13,6% a mais do que nos primeiros 11 meses do ano passado. Argélia e Arábia Saudita estão, respectivamente, na 9ª e na 10ª posições entre os principais importadores de carne in natura.
Na seara da carne industrializada, o Egito aparece no 9° lugar, com importações de US$ 8,2 milhões, um crescimento de 12,7%. Os Emirados Árabes Unidos estão na 14ª posição com compras de US$ 5,2 milhões, uma redução de 13,86%, e a Arábia Saudita ocupa a 15ª colocação, com importações de US$ 5,19 milhões – aumento de 1%.
No que diz respeito aos miúdos de boi, o Egito é o 6° maior importador, com compras de US$ 5,1 milhões, 4,1% de acréscimo sobre o mesmo período de 2006, e a Arábia Saudita está na 15ª posição, com importações de US$ 1,4 milhão, um aumento de 8,5%.
Destaques
Outros destaques apresentados por Pratini foram o fim do embargo imposto pela Rússia à carne dos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, São Paulo e região sul do Pará; o aquecimento do mercado cubano, que já registra uma importação anual de US$ 22,5 milhões em carne industrializada e onde estão em andamento negociações para a abertura do destino para o produto in natura; e a ampliação de empresas habilitadas a exportar para a Malásia.
De acordo com o presidente da Abiec, a Malásia pode servir como base de distribuição para outros países asiáticos, onde há muito movimento de turistas. “E o turista gosta de comer bife”, disse. Além disso, está em andamento a implementação de um acordo sanitário entre o Brasil e a China, e várias companhias brasileiras estão adquirindo frigoríficos no exterior, o que permite acessar mercados como o dos Estados Unidos, fechado para as exportações de carne bovina in natura do Brasil.
Segundo Pratini, as exportações do setor deverão chegar a US$ 4,45 milhões até o final do ano e, para 2008, a previsão é que as vendas externas gerem algo entre US$ 4,9 bilhões e US$ 5,1 bilhões. “O Brasil fornece um terço da carne comercializada no mercado internacional, sendo o principal exportador em volumes e receitas”, afirmou. A carne do país abastece 182 mercados.

