Isaura Daniel
São Paulo – Os países árabes estão aumentando as importações de soja do Brasil. Entre janeiro e julho deste ano, os árabes compraram 219 mil toneladas de soja brasileira em grãos, o mesmo volume que durante todo o ano passado. Em relação aos primeiros sete meses do ano passado, quando o país vendeu 77 mil toneladas de soja para o mundo árabe, o aumento foi de 185%. De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, os árabes estão diversificando as suas fontes de fornecimento em função da alta demanda mundial do produto provocada pela China.
Os países árabes que compraram a soja nacional nos sete primeiros meses deste ano foram Emirados Árabes Unidos, que adquiriram 142 mil toneladas, e Marrocos, que importou 77 mil toneladas. Segundo Alaby, a soja é usada na indústria de alimentação no mundo árabe, mas parte do produto enviada aos Emirados também é reexportada. O país é uma fonte de fornecimento de mercadorias na região. No ano passado, os compradores da soja brasileira em grão no mercado árabe foram Marrocos, com 131 mil toneladas, Emirados, com 52 mil, Egito com 35,5 mil toneladas e Arábia Saudita, com 450 quilos.
Os estados brasileiros que mais embarcaram soja para os árabes neste ano, em volume e por ordem, foram Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás. No ano passado os principais fornecedores foram Mato Grosso, Goiás e Paraná. Entre janeiro e julho deste ano, o Brasil faturou US$ 52 milhões com vendas de soja para o mundo árabe contra US$ 16 milhões no mesmo período do ano passado. Em todo ano de 2005, o faturamento foi o mesmo que nos primeiros sete meses deste ano: US$ 52 milhões. O Brasil exportou no ano passado 22,4 milhões de toneladas de grãos de soja, o que gerou receita de US$ 5,3 bilhões.
De acordo com o gerente da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), João Paulo Moraes Filho, a projeção é de que o país exporte 24,5 milhões de toneladas de soja em grão até o final deste ano. Até a metade de agosto já foram exportadas 18 milhões de toneladas. O Brasil colheu na safra 2005/2006, que terminou no primeiro semestre do ano, 53,43 milhões de toneladas, com uma redução de 18 milhões de toneladas, e os números da próxima safra ainda são incertos, já que os produtores estão desestimulados em função dos baixos preços da commodity.
Menos soja
De acordo com Moraes Filho, deve haver uma redução na área plantada em relação à safra passada, quando foram cultivados 22,2 milhões de hectares com soja. Ainda não há projeções de colheita, mas, segundo o gerente da Conab, pode haver até um aumento de produção de acordo com a produtividade das lavouras. Na safra passada, por exemplo, houve aumento de 8,8% na produtividade. Além da cotação baixa da soja, a redução da área deve ocorrer também em função do endividamento dos agricultores e da expansão das áreas de cana-de-açúcar e de algodão, culturas consideradas rentáveis atualmente.
Segundo Moraes Filho, há uma redução no crescimento do mercado mundial, o que vem causando queda nos preços. Parte disso se deve aos problemas sanitários com suínos e aves, o que diminui a produção nestes setores e conseqüentemente o consumo mundial de farelo de soja. De acordo com o gerente da Conab, os preços da soja devem se manter estáveis até o final do ano que vem, já que não há problemas na oferta. "A oferta está tranqüila", afirma ele. A Argentina, que tem período de plantio e colheita similar ao Brasil – planta no segundo semestre e colhe no primeiro semestre do ano seguinte, não deve ter redução de área e os Estados Unidos se preparam para começar a colher uma boa safra.

