São Paulo – O Brasil vendeu minério a preços menores para o mercado árabe em abril deste ano. A tonelada saiu do País para a região por US$ 144 em abril do ano passado e foi embarcada a US$ 127,8 no último mês, com recuo de 11%. Também houve redução sobre a cotação praticada no início deste ano, em janeiro, que foi US$ 138,7. O movimento de preços do minério, que recuaram no mercado mundial em relação a 2011, reflete a desaceleração da demanda chinesa, país responsável pela produção de metade do aço consumido no mundo.
Apesar disso, no entanto, o valor do minério exportado aos árabes está acima da cotação média dos embarques externos brasileiros em geral, que foi de US$ 103 em abril. O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Germano Mendes de Paula, explica que os árabes usam tecnologia diferente na produção de aço, com equipamento movido a gás natural em vez de carvão. Com isso, em vez de minério fino, eles usam principalmente minério granulado e em pelotas, que têm preços maiores.
Apesar de o valor do minério estar menor sobre o ano passado, em relação ao começo do ano ele não caiu muito. A tonelada no mercado spot chinês, por exemplo, estava em US$ 142 em janeiro deste ano e ficou cotada a US$ 145 na última segunda-feira (7). E os analistas acreditam que ela não deve sair muito desta média até o final do ano. “Deve ficar entre US$ 140 e US$ 150 no segundo semestre”, diz o estrategista de investimentos da SLW Corretora, Pedro Galdi. Ele afirma que pode ir a US$ 120 apenas se houver uma piora muito substancial na economia.
O Brasil, no entanto, já sentiu, na sua balança comercial, no começo deste ano, os efeitos do arrefecimento da demanda na China. Os US$ 103 pelos quais a tonelada foi embarcada em abril, eram US$ 125,7 no mesmo mês de 2011 e US$ 106,7 em janeiro deste ano. As próprias mineradoras, apesar de acreditarem na melhora do mercado daqui por diante, viram o movimento se refletir negativamente nos seus resultados do primeiro trimestre.
O professor de Economia e Política das Faculdades Integradas Rio Branco, Carlos Eduardo Stempniewski, explica que como reduziu os níveis de consumo a China priorizou as compras de países mais próximos, em função da logística e custos de frete, o que favoreceu produtores como África do Sul e Austrália. “Isso fez com que o Brasil perdesse um pouco de competitividade com o minério de ferro”, explica o professor, lembrando, no entanto, que a Vale tem um terminal da commodity em Cingapura justamente para atender rapidamente os chineses.
"O consumo na China caiu 25% no começo deste ano", explica Stempniewski. A produção de aço no país ficou em 61,5 milhões de toneladas em março, segundo dados da World Steel Association, organismo mundial do setor de aço. Em janeiro, a produção de aço bruto na China estava em 56,7 milhões de toneladas, mas em fevereiro caiu para 55,8 milhões de toneladas. A produção mundial foi de 123,6 milhões de toneladas em janeiro, 120,8 milhões de toneladas em fevereiro e 132 milhões de toneladas em março.
O Brasil exportou ao mercado árabe US$ 227 milhões em minério em abril. Em volume foram 1,7 milhão de toneladas. No mesmo mês de 2011, o país embarcou para a região 1,2 milhão de toneladas, o que gerou receita de US$ 180,8 milhões. Houve crescimento tanto em volume quanto em receita, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No acumulado deste ano até abril foram US$ 815,6 milhões, com 6,6 milhões de toneladas enviadas. O minério é um dos principais produtos de exportação do Brasil ao mundo árabe.

