São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta segunda-feira (7) um relatório em que prevê os principais desafios dos países do Oriente Médio e do Norte da África (Mena) nos próximos anos. O Fundo afirma que os países da região, sejam ricos ou não em recursos naturais como o petróleo, precisam ter instituições fortes, investir na qualificação dos seus habitantes e diversificar suas fontes de receita.
Segundo o FMI, os países do Oriente Médio e do Norte da África viveram nos últimos anos uma expansão "sem precedentes" na força de trabalho. O levantamento utiliza dados do Banco Mundial e indica que a região tinha, em 2000, 104 milhões de trabalhadores. Esse número subiu para 146 milhões de pessoas em 2010 e deverá atingir 185 milhões em 2020. Esses números referem-se às pessoas disponíveis para trabalhar e não empregadas.
"A região falhou em criar os milhões de empregos necessários para absorver a rápida expansão da força de trabalho, tornando-se o local com o maior nível de desemprego do mundo", afirma o Fundo. A situação é pior, segundo o FMI, entre os jovens. Enquanto a média mundial é de 2,9 jovens desempregado para cada adulto sem emprego, na Mena essa proporção é de quatro jovens sem trabalho para cada adulto na mesma situação.
Neste estudo, o FMI divide as nações árabes em três grupos: o primeiro compreende as nações do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês), ricas em recursos naturais e importadoras de mão de obra. São elas o Bahrein, Kuwait, Omã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. O segundo grupo é formado por países que não pertencem ao GCC, mas são ricos em recursos naturais e têm mão de obra em abundância. É o caso de Argélia, Iraque, Líbia e Síria. O terceiro grupo, classificado como emergentes é composto pelo Marrocos, Egito, Jordânia e Tunísia, países com poucos recursos naturais. O FMI compara estas nações com outros dois países, ricos em petróleo, porém que não são árabes: Venezuela e Irã.
O relatório mostra que os países do GCC tiveram desempenho melhor em geração de renda (classificação em que o grupo dos emergentes foi o pior classificado), maior renda per capita, maior expectativa de vida e habitantes com mais tempo de estudo. Enquanto entre os cidadãos de países ricos em petróleo, mas fora do GCC, a média de estudo é de 6,5 anos, entre as nações do GCC a média é de quase 8,5 anos de estudo. A média de estudo de Venezuela e Irã é de 7,5 anos e a dos países árabes emergentes é de sete anos.
O FMI alerta que os países da Mena precisam reduzir sua dependência dos recursos naturais para ficar menos suscetíveis à volatilidade dos mercados. As nações da região são donas de 55% das reservas mundiais de petróleo de 29% das reservas de gás. Em 2008, 38% das receitas da Argélia, por exemplo, vieram das receitas geradas pelo setor de hidrocarbonetos, que, por sua vez, representou 98% das exportações.
O Fundo sugere que os países da Mena gerenciem melhor as políticas macroeconômicas para evitar efeitos como o que chama de expansão-recessão, ou seja, períodos de grande crescimento econômico seguidos por outros de queda no PIB. Também recomenda investimentos em capital humano e políticas inovadoras para diversificar suas economias e atender à demanda do mercado de trabalho. O Fundo afirma que para implantar essas mudanças, estes governos precisam investir na capacitação das pessoas envolvidas na administração pública.

