São Paulo – Começou nesta segunda-feira (16) e vai até amanhã (17) a 17ª Conferência de Empresários e Investidores, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O fórum é promovido pela União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes e pela Câmara de Comércio e Indústria de Abu Dhabi.
De acordo com o diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que participa do evento, inovação e criatividade foram os temas da sessão de abertura. “Até o ano de 2025, o mundo árabe deverá gerar cerca de 50 milhões de empregos diretos, mas os investimentos [na região] são de menor vulto em comparação com as nações em desenvolvimento, com exceção dos países do Golfo Arábico”, informou o executivo.
Segundo ele, os investimentos nos países árabes somam apenas 0,7% do total mundial. Os palestrantes defenderam o intercâmbio de ideias entre os países árabes, o incentivo às pequenas e médias empresas, e investimentos em educação e recursos humanos. No caso específico dos Emirados, a meta local é investir em US$ 18 bilhões nos pequenos e médios negócios até 2021. Alaby ressaltou que é considerada pequena ou média empresa no Golfo aquela com menos de 250 funcionários e faturamento anual inferior a US$ 28 milhões.
Participaram da abertura o ministro da Economia dos Emirados, Sultan Bin Saeed, o presidente honorário da União Geral das Câmaras, Adnan Kassar, o presidente atual da entidade, Mohamadou Ould Mohamed Mahmoud, o presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria dos Emirados, Mohammed Thani Al Rumaith, e o diretor-geral da Corporação Árabe de Investimentos e Garantia de Créditos à Exportação, Fahad Al Ibrahim.
Em seguida, no primeiro painel, que tratou de liderança e inovação, vários palestrantes destacaram que a redução da burocracia para aprovação de projetos deve ser prioridade número um no mundo árabe, segundo Alaby. “Infelizmente, há muitos órgãos governamentais no processo de aprovação, o que dificulta sobremaneira o incentivo para novos empreendimentos”, observou o executivo.
Representantes de instituições de diversos países falaram sobre iniciativas locais. Na Arábia Saudita, por exemplo, há a estratégia de transformar a indústria de transformação numa das líderes da região até 2030. Nos Emirados, há uma série de metas estabelecidas para serem atingidas até 2025, sendo que a principal é a educação.
Oura constatação é que há falta de financiamento para inovação. “O sistema financeiro exige garantias em demasia, o que dificulta o acesso a financiamentos, mesmo aqueles ligados ao Banco Islâmico de Desenvolvimento”, disse Alaby, referindo-se à instituição de fomento mantida por nações muçulmanas.
O tema da segunda sessão foi o empreendedorismo na agricultura, indústria e no setor de energia. A constatação foi a mesma: a falta de financiamentos para ações empreendedoras e inovadoras.
Há exceções, no entanto. Representante da Mubadala, holding de Abu Dhabi, com investimentos em várias áreas, disse, por exemplo, que a empresa tem investido em projetos agropecuários nos Emirados para a produção de leites e derivados, e trigo, além de ter empreendimentos de US$ 9 bilhões no setor agrícola em países vizinhos. A companhia investe pesado também na área de energia, principalmente em fontes renováveis.


