Cartum – A União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes promove nesta segunda (20) e terça-feira (21), em Cartum, no Sudão, uma conferência sobre investimentos na segurança alimentar do Oriente Médio e Norte da África. A União é um braço privado da Liga dos Estados Árabes e reúne não só entidades empresariais da região, mas de várias partes do mundo, como a Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Um dos principais pontos de discussão do encontro é como ampliar a participação da iniciativa privada nestes investimentos. A questão da segurança alimentar é crítica no mundo árabe. Com uma população crescente e poucas terras agriculturáveis, a região depende muito das importações para se abastecer, o que a deixa vulnerável às flutuações de preços e de oferta de alimentos no mercado internacional.
Governos e empresários árabes já há alguns anos começaram a investir em agricultura e pecuária no exterior para garantir o abastecimento de suas populações. Os países do Golfo, desérticos, mas ricos em petróleo e recursos financeiros, capitaneiam esta estratégia. A África, pela proximidade e disponibilidade de terras, entre outros fatores, é a região mais buscada para este fim.
Neste contexto, o Sudão se apresenta como grande alternativa aos investimentos árabes em agricultura. Banhado pelo Nilo Branco e pelo Nilo Azul, que na altura da capital se unem para formar o famoso Rio Nilo, o país tem grandes extensões de terras férteis, mas precisa de financiamento e de cooperação internacional para modernizar e expandir sua produção.
Atrair estes investimentos se tornou ainda mais importante para os sudaneses após a separação do país em Sudão e Sudão do Sul, em julho de 2011. Como boa parte das reservas provadas de petróleo locais estão no Sul, o governo do Norte definiu como estratégia fomentar a atividade agrícola para tentar compensar em parte a perda de receitas com a commodity.
Diante desse cenário, várias entidades e empresas locais estão dando forte apoio à conferência, como a Federação dos Empresários e Empregadores Sudaneses, a União dos Bancos do Sudão, a Kenana Sugar Company, que atua no ramo sucroalcooleiro, além de instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido, na sigla em inglês) e o Centro para o Investimento e Empreendedorismo do Bahrein.
Os painéis no auditório do hotel Al Salam Rotana terão participação de ministros, representantes de entidades empresariais e de órgãos públicos, empresas, bancos e centros de pesquisa de vários países árabes. Entre os temas estão a apresentação do Sudão como polo para atração de investimentos agrícolas, experiências pioneiras dos países árabes na área, os obstáculos para se garantir a segurança alimentar na região, as necessidades de financiamento, a modernização do setor agrícola e da indústria de alimentos.
Brasil
Do Brasil, o diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, estará no encontro. “É um evento promovido pela União Geral e a ideia é apresentar o Sudão como uma alternativa para a produção de cereais e proteínas. Como o Brasil tem ligação muito forte com a África, pode haver interesse na cooperação técnico-agrícola”, afirmou ele.
Alaby já participou de uma conferência semelhante em novembro de 2011, também em Cartum, que teve cobertura da ANBA, e constantemente recebe em São Paulo empresários e representantes do governo sudanês interessados em parcerias com o Brasil na área. Algumas dessas parcerias se tornaram realidade, pois hoje há brasileiros plantando grãos e algodão no país africano e atuando na área de irrigação. Empresas brasileiras também exportam máquinas e equipamentos agrícolas ao Sudão, além de produtos como açúcar e frangos.


