São Paulo – A Universidade Federal do Pará (UFPA) começou a participar das discussões da União Internacional de Telecomunições (UIT) junto com uma série de instituições de ensino de outros países, entre eles os árabes Argélia e Tunísia. O organismo internacional mantém vários grupos de discussão na área de telecomunicações, com objetivo de gerar diretrizes mundiais para o setor, e começou recentemente a incentivar a participação de universidades nestes grupos. A UFPA se inscreveu, e também o fizeram instituições da Argélia e Tunísia, além de Tanzânia, Ruanda, República Checa, México, Japão, Gana, EUA, Dinamarca, China e Azerbaijão.
De acordo com o diretor da Faculdade de Engenharia da Computação da UFPA, Aldebaro Klautau, para participar é necessário pagar, e a UIT ofereceu preços acessíveis para que universidades de países menos desenvolvidos participassem. Com isso, deve haver uma troca de informações entre nações com realidades parecidas e, por exemplo, necessidade de telefonia e internet a custos mais baixos, com é o caso do Brasil e de países da África.
A UFPA escolheu participar de duas áreas de discussão, uma sobre o uso da internet de banda larga e outra sobre o acesso de pessoas menos favorecidas às telecomunicações. A instituição tem pesquisas nestas áreas e acredita que tem a contribuir com elas. Normalmente, as pesquisas são colocadas em discussão e as que são aprovadas acabam servindo de recomendação mundial nos documentos da UIT. Na área de barateamento de telecomunicações, por exemplo, a universidade do Pará pesquisa como levar telefonia de graça para comunidades isoladas, fazendo com que elas mesmas instalem antenas e operem na área.
De acordo com Klautau, os números oficiais indicam que 99% dos municípios brasileiros têm telefone. “Mas há municípios na Amazônia em que há um só telefone, na sede do município”, afirma o professor, demonstrando que o dado não reflete uma realidade de oferta de telecomunicação para todas as pessoas. Ele afirma que na África também existe esse tipo de realidade, de dificuldade de acesso às telecomunicações e tanto o Brasil pode levar as suas experiências, a partir das discussões na UIT, quanto aprender com os demais.
A UFPA começou a participar dos debates do organismo no final do ano passado e já participou de algumas audioconferências. "Estamos mais na etapa de ouvir do que influenciar", afirma Klautau. Ela deve, no entanto, enviar representantes a um encontro sobre banda larga em Genebra, na Suíça, em setembro. Nesta área, inclusive, a universidade tem pesquisas sobre como aumentar a taxa de velocidade da internet a partir de cabo de telefone e pretende colocá-las na roda.
A UIT, que é uma das agências especializadas das Nações Unidas, é uma organização internacional que tem por objetivo padronizar e regular as telecomunicações internacionais, como as que permitem ligações de telefones de um país para outro, entre outras ações.

