São Paulo – Começa hoje (20), em Recife, estado de Pernambuco, uma reunião de técnicos e diplomatas árabes e sul-americanos sobre recursos hídricos, semi-árido e desertificação. O encontro, que segue até sexta-feira (22) é uma preparação para a reunião ministerial das duas regiões sobre o tema, que vai ocorrer em Riad, na Arábia Saudita, entre os dias 16 e 17 de novembro. Seis países árabes e três sul-americanos, além da Liga Árabe, já confirmaram participação no encontro de Pernambuco, segundo informações do Itamaraty.
Entre os árabes, Arábia Saudita, Marrocos, Iraque, Iêmen, Catar e Argélia estarão representados. Por enquanto, a maior delegação árabe virá da Arábia Saudita. Os sul-americanos representados, segundo confirmações feitas até ontem (19), serão Brasil, Argentina e Peru, de acordo o secretário da Divisão de Seguimento de Cúpulas do Ministério de Relações Exteriores, André Rosa Bueno. A abertura ocorrerá hoje no final da tarde e nos demais dias haverá seminários e reuniões.
A cooperação em combate à desertificação e desenvolvimento de recursos hídricos é uma das mais importantes estabelecidas como meta pela Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos (Aspa). Pesquisas indicam que até 2050, metade das terras aráveis do mundo não vão produzir em função da desertificação. E essa é uma preocupação tanto de países árabes quanto sul-americanos como o Brasil, que possuem regiões áridas e de semi-árido, tipos de terras que têm forte ameaça de desertificação.
Uma das discussões será o programa executivo bienal conjunto dos países para a área. A Liga Árabe ficou responsável por apresentar uma proposta, o que será feito e discutido no encontro. Segundo o Itamaraty, a Liga apresentou uma proposta de seis reuniões técnicas voltadas a temas como desertificação, tratamento de resíduos sólidos e agricultura. Além disso, quer que a América do Sul forme uma rede de técnicos na área, assim como já existe no mundo árabe. A proposta será debatida entre todos os participantes.
A reunião tem como foco também, segundo material divulgados pelo Ministério de Relações Exteriores, preparar as recomendações para a reunião de Riade, definir a composição de algumas comissões, a atualização do site ASPA-Science, e discutir sugestões dos peritos, nas mesas redondas, de áreas prioritárias para a cooperação em recursos hídricos, semi-árido e desertificação.
A Liga Árabe deve levantar, por exemplo, o tema do monitoramento via satélite da expansão da desertificação, área na qual o Brasil pode ser um parceiro, segundo o Itamaraty, porque já detém essa tecnologia. Também a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deve participar do encontro com sua experiência, por exemplo, em produção de sementes para o semi-árido. Além de servir de preparação para a reunião de Riad, o encontro também servirá para a organização da ASPA, que vai ocorrer em Doha, no Catar, no começo do próximo ano.

