Isaura Daniel
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São Paulo – Mais da metade dos chanceleres dos países árabes e sul-americanos já confirmou que estará em Buenos Aires, capital da Argentina, na próxima semana para participar da reunião de ministros de relações exteriores das duas regiões. O encontro, que ocorrerá nos dias 20 e 21, servirá para avaliar a evolução das relações entre o mundo árabe e o sul-americano desde a realização da Cúpula América do Sul – Países Árabes (Aspa), que ocorreu em 2005 no Brasil, e também para preparar a próxima reunião de presidentes dos países das duas regiões, que deve acontecer ainda neste ano em um país árabe.
Segundo o coordenador geral da Aspa na Argentina, o ministro Osvaldo Pascual, até ontem (13) mais da metade dos chanceleres das duas regiões havia confirmado presença. Entre os governos do mundo árabe, cerca de 70% informou que enviará os seus ministros de relações exteriores. O encontro será antecedido, nos dias 18 e 19, de uma reunião de altos funcionários que vão preparar a declaração que sairá do encontro, chamada Declaração de Buenos Aires. O documento incluirá as ações em andamento e planos conjuntos das duas regiões. A primeira declaração feita foi a de Brasília, feita na reunião de presidentes.
De acordo com o diretor do Departamento de Mecanismo Regionais da Subsecretaria Política para África, Ásia, Oceania e Oriente Médio do Itamaraty, Gilberto Moura, no encontro de Buenos Aires é esperado que o Catar, país árabe que fica no Golfo Arábico, confirme oficialmente a sua disposição de ser sede da próxima cúpula. O país já fez extra-oficialmente o anúncio de que pretende colocar Doha, sua capital, à disposição para a realização do encontro. A cúpula estava programada para ocorrer no começo deste ano, no Marrocos, mas o país desistiu de sediá-la e por isso a data foi adiada.
No encontro de chanceles cada país vai levar os assuntos de seu interesse. Moura afirma que devem estar em pauta temas como a criação de uma biblioteca árabe-sul-americana em Argel, na Argélia, o projeto de criação de um instituto de pesquisa sobre a América do Sul no Marrocos, propostas do Maghreb na área de turismo, questões econômicas e ambientais, como o tema da desertificação. “Cada país vai trazer um ‘shopping list’ do que tem interesse”, diz Moura. Os temas serão incluídos na Declaração de Buenos Aires. De acordo com o argentino Pascual, já existe um consenso sobre o conteúdo do documento entre os sul-americanos, mas ele ainda será juntado ao do mundo árabe.
Esta será a primeira reunião de chanceleres da América do Sul e Países Árabes após a cúpula. Desde o encontro de presidentes, porém, já ocorreram várias reuniões de altos funcionários e também de ministros de outras pastas como assuntos sociais, cultura e economia. Os chanceleres das duas regiões também tiveram encontros no decorrer deste período, mas não coletivos. A aproximação dos países sul-americanos e árabes foi grande desde 2005 e ocorreu em várias áreas, desde a cultural até a política e econômica.
Os últimos dados disponíveis apontam comércio de US$ 17 bilhões entre as duas regiões em 2006, segundo a Câmara de Comércio Árabe Brasileira. O número inclui exportações e importações dos árabes com Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. No ano passado apenas o Brasil teve um corrente comercial de US$ 13,5 bilhões, com aumento de 12% sobre o ano anterior. A Argentina teve, até o mês de outubro, segundo a Câmara de Comércio Argentino Árabe, US$ 2,6 bilhões, com os países árabes. Segundo levantamento da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Brasil e Argentina respondem por mais de 91% do comércio com a região.

