Alexandre Rocha
São Paulo – Três países árabes estão entre os 20 maiores destinos das exportações do agronegócio brasileiro. Segundo dados do Ministério da Agricultura, Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos ficaram, respectivamente, na 15ª, 16ª e 17ª posições no ranking dos principais mercados do setor entre janeiro e novembro deste ano.
Os embarques para a Arábia Saudita renderam US$ 783,3 milhões, um aumento de 9,2% em comparação com o mesmo período do ano passado; ao Egito somaram US$ 730,2 milhões, 56% a mais; e para os Emirados o total foi de US$ 655 milhões, um crescimento de 44%.
No total, as vendas para os 22 países árabes chegaram a US$ 3,962 bilhões, uma ampliação de 25,26% em relação ao período de janeiro e novembro de 2005. Elas representaram 8,75% das exportações do setor, que somaram US$ 45,285 bilhões entre janeiro e novembro. No mesmo período do ano passado a participação dos árabes foi de 7,9%.
As vendas do agronegócio cresceram para a maioria dos países da região, com destaque também para a Argélia, que importou o equivalente a US$ 348 milhões, um crescimento de 26% sobre os 11 primeiros meses do ano passado; Iêmen (US$ 251,5 milhões, 52% a mais); Líbano (US$ 151 milhões, 53% a mais), Tunísia (US$ 94 milhões, 28% a mais); Somália (US$ 55,7 milhões, 36% a mais); Iraque (US$ 100 milhões, 169% a mais), Líbia (US$ 66 milhões, 82% a mais); Sudão (US$ 38,5 milhões, 38,5% a mais); e Djibuti (US$ 5,6 milhões, 77% a mais).
Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., isso mostra o potencial do mercado árabe. Apesar de já ser tradicional importadora de produtos agropecuários, a região continua a ampliar sua importância na pauta de exportações brasileiras. "Está havendo uma maior atenção ao mercado árabe", disse. E há mais espaço para crescer. Sarkis lembrou que os árabes importam 90% dos alimentos que consomem.
E esta atenção maior não ocorre somente por parte de setores que já são tradicionais fornecedores, como os de carne e açúcar. Aumentaram bastante, por exemplo, as vendas de bois vivos, que passaram de US$ 28,5 milhões para US$ 68,6 milhões; de fumo, que saíram de US$ 26 milhões para US$ 40 milhões; de fibras e produtos têxteis, que subiram de US$ 9 milhões para US$ 16,5 milhões; de sucos de frutas, que foram de US$ 5,7 milhões para US$ 12,3 milhões; de cereais farinhas e preparações, que passaram de US$ 3,6 milhões para US$ 19 milhões; de chás, mates e especiarias, que saíram de US$ 964 mil para US$ 4,44 milhões; e de hortaliças, leguminosas e raízes, que foram US$ 606 mil para US$ 1,7 milhão.
O açúcar, no entanto, continua a ser o grande motor das vendas para a região. Entre janeiro e novembro, os embarques da commodity para lá renderam US$ 1,9 bilhão, 58% a mais do que no mesmo período do ano passado. "Cada mês que passa fica mais claro que o Brasil está ocupando o espaço da União Européia no mercado árabe", disse Sarkis. Decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) limitou as exportações de açúcar do bloco europeu.
Em segundo lugar entre os principais produtos embarcados vêm as carnes, incluindo a bovina e a de frango. As exportações do setor chegaram a quase US$ 1,5 bilhão, 9,7% a mais do que no período de janeiro a novembro do ano passado. O aumento foi devido ao desempenho da carne bovina, já que as vendas de frangos tiveram redução durante o ano.
Novembro
Em novembro somente, as exportações do agronegócio aos países árabes renderam US$ 147,3 milhões, um aumento de 53,5% em comparação com o mesmo mês do ano passado. O principal destino no período foram os Emirados Árabes Unidos, com importações de US$ 72,658 milhões, ante US$ 72,616 milhões da Arábia Saudita e US$ 52,3 milhões do Egito, respectivamente segundo e terceiro colocados.
"Os Emirados são um importante canal de distribuição de mercadorias importadas tanto para o mercado interno do país, como para o abastecimento de países vizinhos", disse Sarkis.

