Isaura Daniel
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São Paulo – Investidores do Oriente Médio terão seu dinheiro aplicado em projetos imobiliários brasileiros. A Tishman Speyer, empresa norte-americana do ramo que tem operações no Brasil, concluiu recentemente a captação de R$ 1,2 bilhão para investir no mercado imobiliário nacional. Segundo nota divulgada pela empresa, neste montante há dinheiro de 27 investidores de várias nacionalidades, entre eles árabes.
O dinheiro provém de fundos de pensões públicos e privados, corporações, companhias de seguro, bancos, governos e pessoas físicas dos Estados Unidos, Europa, Ásia, América do Sul e Oriente Médio. A Tishman deve aplicar os recursos em aquisições, desenvolvimento e modernização de escritórios, condomínios residenciais e complexos multiusos. Ela vai buscar oportunidades de investimentos em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.
O dinheiro será investido em um prazo de dois anos e já estão listados alguns projetos nos quais os recursos serão aplicados. Entre eles estão a aquisição do edifício Sul América, no centro do Rio de Janeiro, para o qual está sendo desenvolvido um projeto de modernização, três empreendimentos comerciais em São Paulo, em Alphaville e nas avenidas Faria Lima e Luis Carlos Berrini, além de três projetos residenciais com quatro mil apartamentos.
A Tishman Speyer já tem aplicações de R$ 1,5 bilhão no Brasil, em três projetos de escritórios, o Rochaverá Corportate Towers e Landmark, em São Paulo, e o Ventura Corporate Towers, no Rio de Janeiro, além de outros seis projetos residenciais em construção na capital paulista. A companhia compôs em 1997 o seu primeiro fundo privado e até hoje já constituiu 13 fundos com foco no mercado imobiliário. Foram captados, até o momento, US$ 8,4 bilhões de 130 investidores privados e institucionais.
O fundo de R$ 1,2 bilhão, chamado de Fundo Brasil Tishman Speyer, é o primeiro fundo privado formado pela companhia destinado exclusivamente ao mercado imobiliário brasileiro. O presidente da empresa no Brasil, Daniel Citron, afirma que o dinheiro foi captado mesmo durante a crise dos subprimes (créditos de alto risco) dos Estados Unidos e que demonstra a confiança do investidor estrangeiro no Brasil e no modelo de negócios adotado pela companhia no mundo.
De acordo com informações da empresa, a captação para o Fundo Brasil ficou acima das expectativas. Foi conseguido mais que o dobro dos recursos esperados. “Durante o processo de apresentação aos investidores, notamos que tínhamos possibilidade de conseguir um volume ainda maior. Mas finalizamos o processo para iniciar as fases de busca efetiva de oportunidades”, disse Citron, segundo nota da assessoria de imprensa.
A Tishman Speyer tem sede em Nova York, nos Estados Unidos, e escritórios em mais 15 cidades. Ela é uma das maiores empresas de desenvolvimento imobiliário do mundo e atualmente possui ou administra 72 milhões de metros quadrados. Isto engloba 115 edifícios comerciais ou de uso misto e cerca de 89 mil unidades residenciais.

