São Paulo – Os países árabes estão preocupados em melhorar o ambiente das suas economias para a captação de investimentos estrangeiros. Dados sobre algumas das medidas adotadas fazem parte de um estudo do Departamento de Desenvolvimento de Mercados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira intitulado “Investimentos nos Países Árabes – 2009”. “Houve bastante progresso. Em alguns países, é possível observar uma grande abertura”, diz o gerente da área responsável pelo estudo, Rodrigo Solano, a respeito dos estímulos dados pelas economias locais para a participação estrangeira.
O diretor do escritório do Banco do Brasil em Dubai, Renato Gerundio de Azevedo, afirma que os Emirados estão entre os países do Oriente Médio com legislação para investimento estrangeiro mais desenvolvida. “Há outros em vias de abertura. A Arábia Saudita também tem intenção de abrir-se”, afirma Azevedo, citando ainda Catar e Bahrein como nações que estão em processo de abertura para os investimentos de fora. Segundo o diretor, eles têm interesse principalmente em captar investidores para as áreas de infraestrutura, desenvolvimento de cidades, projetos de energia e petróleo e logística.
De acordo com estudo da Câmara Árabe, entre as atratividades para estrangeiros investidores, no mundo árabe, estão o amplo mercado consumidor, a possibilidade de usufruir de acordos de exportação da região com outros países, como europeus e asiáticos, as taxas aduaneiras baixas, entre 4% e 5% para grande parte dos produtos, os investimentos públicos que vêm sendo feitos em infraestrutura, que garantem bom ambiente para as empresas se desenvolverem, a possibilidade de repatriar 100% dos lucros, e o aperfeiçoamento pelo qual vêm passando os mercados financeiros locais.
Segundo dados da pesquisa, o Oriente Médio espera um crescimento demográfico de 60% até o ano de 2020. Esse aumento de população fará com que a região precise abrir novas vagas de emprego para os jovens, que devem chegar a 400 milhões de pessoas em 2020. Para incorporar os novos trabalhadores, de acordo com informações coletadas para o estudo, será necessário investir 30% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países e gerar um crescimento de renda de 5% a 6% ao ano.
Solano lembra que por todo mundo árabe há inúmeras zonas francas e industriais, que dão incentivos para estrangeiros. Elas estão desde na Arábia Saudita e Emirados, até Líbano, Síria e Sudão. Segundo Solano, os incentivos variam de acordo com as necessidades econômicas em cada país. Azevedo lembra que no mundo árabe existe um conceito diferente de zona franca do que no Brasil, já que na região praticamente não há impostos. “Nas zonas francas não há necessidade de um sócio árabe”, explica. Normalmente, nas demais partes dos países, para abrir uma empresa é preciso um parceiro local.
O fluxo de investimentos brasileiros no mundo árabe ainda não é muito volumoso, mas cada dia crescem as iniciativas. Há várias marcas brasileiras com lojas na região, como Boticário, de perfumes, Carmem Steffens, a Via Uno e a Arezzo, de calçados, e Colcci e Hering, de confecção. Há também a Randon, com linhas de montagem, a Andrade Gutierrez, o Frigorífico Minerva, o Friboi, a Tubos Tigres, a Sadia e a Perdigão, com escritórios. De acordo com Solano, ainda estão sendo levantados, para o mesmo estudo, dados que mostram mais oportunidades de investimento para as empresas brasileiras.
De lá para cá
Os investimentos de empresas árabes no Brasil também não são muito grandes, segundo dados oficiais. Informações do Banco Central, copiladas pela Câmara Árabe, mostram que no ano passado os árabes investiram US$ 72,9 milhões no Brasil. Apesar do valor baixo se comparado ao total de investimento estrangeiro que o país recebe, houve crescimento. Em 2007, o investimento árabe direto no Brasil estava em US$ 4,23 milhões. De acordo com o economista da Tendências Consultoria, André Luiz Sacconato, investimento direto estrangeiro não é o que os árabes mais costumam fazer e sim no mercado financeiro.
O Brasil recebeu, no ano passado, US$ 45 bilhões em investimento direto estrangeiro e deve receber, neste ano, segundo projeção da Tendências Consultoria, US$ 25 bilhões. No ano que vem esse valor deve saltar já para US$ 35 bilhões. De acordo com Sacconato, até agora o setor que mais recebeu investimento no Brasil, neste ano, foi a indústria, com 55%. O setor de automóveis foi um dos grandes responsáveis pelas entradas.

