São Paulo – Governos árabes pedem união ao povo líbio após a morte do ditador Muammar Kadafi, nesta quinta-feira (20) em Sirte, sua cidade natal. De acordo com o site do jornal egípcio Al Ahram, o secretário-geral da Liga Árabe, organização que reúne 22 países, Nabil Al Arabi, pediu que os líbios “superem as feridas do passado e olhem para o futuro sem ressentimentos ou anseios de vingança, afastando tudo o que possa atrapalhar a unidade nacional e a paz”.
Ele defendeu que todas as forças políticas devem “cerrar fileiras” para construir “uma nova Líbia que satisfaça as esperanças e ambições de seu povo por liberdade”. A Liga Árabe, da qual a Líbia faz parte, suspendeu o país após a violenta repressão do regime de Kadafi aos protestos populares iniciados em fevereiro e apoiou a criação de uma zona de exclusão aérea sobre o território pelo Conselho de Segurança da ONU.
A decisão do conselho, tomada em março, abriu caminho para os ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que mudaram o rumo do conflito líbio a favor dos opositores do regime e foram determinantes para a deposição do ditador. Em agosto os rebeldes tomaram a capital Trípoli.
Arabi acrescentou que a organização “fará esforços para apoiar a jornada do povo líbio e para estar ao seu lado nesta fase crítica de transição”.
Segundo o Al Ahram, o governo egípcio, que reconheceu o Conselho Nacional de Transição (CNT) como representante legítimo da Líbia em agosto, informou que está pronto para apoiar os esforços de reconstrução do país vizinho. O Egito espera que a morte de Kadafi abra um novo capítulo para o povo líbio e ofereceu apoio ao NTC para “estabelecer um sistema democrático livre que atenda às aspirações do povo líbio e atinja os objetivos da revolução”.
Antes da queda de Kadafi, uma revolta popular no Egito já havia derrubado o ditador Hosni Mubarak, que estava há quase 30 anos no poder. O mesmo ocorreu na Tunísia, país que manifestou “profunda satisfação com a libertação total da Líbia”, de acordo com matéria da agência de notícias oficial Tunis Afrique Presse (TAP).
Segundo comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, os tunisianos felicitam o povo líbio “por esta vitória gloriosa”, expressam “confiança no futuro da nova Líbia, em sua capacidade de restabelecer a segurança e a estabilidade em seu território e em realizar as aspirações de seu povo à liberdade, prosperidade e desenvolvimento em um cenário de coesão social e união nacional”.
A Tunísia se oferece para ajudar a Líbia “nessa etapa histórica decisiva” e oferece “seus melhores recursos e potencial para auxiliar o povo líbio irmão a atingir seus nobres objetivos nacionais”. Na Tunísia, começou a Primavera Árabe, com uma onda de protestos em dezembro de 2010. O país foi o primeiro a derrubar seu ditador nesse processo. Zine El Abdine Ben Ali fugiu e buscou refúgio na Arábia Saudita. Neste domingo, a Tunísia vai se tornar também o primeiro país árabe a realizar eleições sob o cenário político pós-revolta.
Mais incisivas, porém, foram as declarações publicadas pela agência de notícias oficial do Marrocos Maghreb Arabe Presse (MAP). De acordo com a Map, “a eliminação do coronel Muammar Kadafi, após sua captura em Sirte, encerra 42 anos de ditadura e de relações tensas, e até detestáveis, com muitos países vizinhos e do Ocidente”.
O Marrocos acusa Kadafi de ser “mentor” da Frente Polisário, que se opõe à presença marroquina no Saara Ocidental, região na costa atlântica do Norte da África. A Map afirma que “desde o início do movimento popular contra o regime despótico de Kadafi, o Marrocos mostrou sua simpatia às aspirações legítimas do povo líbio por democracia e reformas”. Para a agência, a morte do ditador abre uma nova era nas relações entre os dois países.
Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argélia divulgou comunicado em que diz que espera que “a nova era que se abre para a Líbia consagrará a reconciliação, a paz e a unidade entre os irmãos líbios”, segundo a agência de notícias estatal Algérie Presse Service (APS).
O governo do Kuwait, por sua vez, felicitou o povo líbio “na vitória de sua revolução e derrubada do tirano coronel Muammar Kadafi e seu regime”, de acordo com a agência oficial Kuwait News Agency (Kuna). Os kuwaitianos pedem que os líbios “se unam e apóiem o CNT em seus esforços para estabelecer um novo sistema de governo baseado na justiça, igualdade e respeito aos direitos legítimos do povo”.

