Silwan Abbassi*
Brasília – A economia dos países do Oriente Médio e Norte da África deve crescer ao redor de 5,5% neste ano de 2007, de acordo com relatório divulgado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Produto Interno Bruto (PIB) da região deve alcançar, até o final do ano, US$ 1,598 trilhão, contra US$ 1,477 trilhão registrado em 2006. O valor do PIB calculado pelo organismo é nominal, enquanto que o crescimento da economia é real.
Os números fazem parte do relatório Perspectivas Econômicas Regionais – Oriente Médio e Ásia Central. O documento mostra que a tendência econômica positiva deve se manter na região, segundo notícia publicada no jornal árabe Asharq Alawsat. A estimativa do FMI para crescimento econômico do Norte da África e Oriente Médio indica uma pequena desaceleração no crescimento econômico, que ficou em 5,7% no ano passado.
O Norte da África deve registrar crescimento de 4,8% neste ano, o mesmo percentual verificado no ano passado. A Câmara de Comércio Árabe Brasileira vai realizar, com a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex), uma missão para a região na próxima semana. O Norte da África teve PIB de US$ 226,5 bilhões em 2006, valor que deve passar para US$ 275,6 bilhões neste ano.
O PIB dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), que inclui o Bahrein, Kuwait, Catar, Omã, Arábia Saudita e Emirados, deverá atingir US$ 749,7 bilhões em 2007, metade do PIB da região do Oriente Médio e Norte da África. Em 2006, o PIB do GCC foi de US$ 718 bilhões. A economia da Arábia Saudita é a maior da região. Segundo o FMI, a taxa de crescimento econômico saudita deverá ser de 4,8% em 2007, somando US$ 354,9 bilhões. No ano passado, essa taxa foi de 4,6%, totalizando US$ 348,6 bilhões.
Um dos aspectos positivos apresentados pelo relatório do FMI é a queda continuada da dívida externa saudita. De acordo com a previsão do FMI, a dívida pública saudita em 2007 vai corresponder a 21,1% do PIB, ou US$ 74 bilhões, contra 28% no ano passado, ou cerca de US$ 97 bilhões. Isso significa que o governo saudita conseguiu se livrar de US$ 23 bilhões em dívidas.
Ainda de acordo com o relatório do FMI, a dívida pública da região do Oriente Médio e Norte da África como um todo também deve diminuir em 2007, somando US$ 564 bilhões, ou 35% do PIB total da região. No ano passado, a dívida correspondia a 40,3% do PIB.
Segundo o FMI, Iraque e Sudão terão as mais altas taxas de crescimento econômico da região (10,4% e 11,1%), enquanto Líbano, Mauritânia e Iêmen terão as menores taxas (1%, 1,9% e 2,6%).
O FMI alertou os países da região para o fato de que a inflação está aumentando, impulsionada pelo rápido crescimento da demanda e pela alta velocidade de entrada de capital estrangeiro. A taxa de inflação no Oriente Médio e Norte da África deverá ser de 9,1% em 2007, comparada a 6,9% em 2006.
Apesar de apontar para uma redução na taxa média de inflação na região do Golfo, que deve ser de 5% este ano, o relatório prevê um aumento na taxa de inflação da Arábia Saudita: 2,8% em 2007 contra 2,3% em 2006. Ainda assim, a taxa média de inflação da Arábia Saudita ainda será a menor do Golfo. As taxas de inflação na Arábia Saudita vêm crescendo de forma significativa: 0,4% em 2004, 0,7% em 2005 e 2,3% em 2006, ainda de acordo com dados do relatório do FMI.
Ouro preto
Segundo o relatório, as receitas do petróleo serão de aproximadamente US$ 570 bilhões em 2007, uma ligeira redução com relação a 2006, quando foram de US$ 585 bilhões. A redução se deve à queda do custo médio do barril de petróleo, que estava em cerca de US$ 64 por barril no ano passado e deve ficar em US$ 61 por barril em 2007.
O maior desafio da região, segundo o FMI, é manter ou até acelerar o crescimento econômico, para reduzir de forma significativa as taxas de pobreza e de desemprego. Também é importante encontrar oportunidades de investimento sustentável para diversificar a atividade econômica, em particular nos países em que a produção de petróleo tem previsão de redução.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

