São Paulo – Países do Oriente Médio e do Norte da África pediram à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) ajuda para desenvolver um projeto que os ajude a reduzir as perdas e o desperdício de alimentos, durante a 31ª Conferência Regional para o Oriente Médio, concluída nesta sexta-feira (18), em Roma. Os representantes das nações afirmaram que perdem anualmente 16 milhões de toneladas de grãos, que desperdiçam 15% da sua produção de vegetais e legumes e mais de 30% das frutas, carnes e peixes. Eles querem reduzir as perdas em 50% nos próximos dez anos.
Além desse pedido, os árabes solicitaram que a FAO os ajude a elaborar um plano para enfrentar a volatilidade dos preços, criar uma reserva estratégica de grãos e aumentar a segurança alimentar. O presidente da conferência, o ministro da Agricultura do Iraque, Ezzulddin Abdalla Al Dawla, afirmou que segurança alimentar e paz estão diretamente relacionadas. “Conflitos podem resultar em fome e insegurança alimentar pode desencadear ou abastecer conflitos que afetam também os países vizinhos”, afirmou.
Os países querem reduzir as perdas porque têm limitações físicas que os impedem de aumentar a produção. A população, no entanto, continuará a crescer: dos cerca de 380 milhões de habitantes atuais para 520 milhões de pessoas em 2030.
Além de pedir a ajuda da FAO, os países apoiaram a sugestão do diretor-geral da instituição, o brasileiro José Graziano da Silva, de criar um fundo para promover a segurança alimentar e o desenvolvimento da agricultura na região. Quando apresentou a proposta, na quinta-feira (17), Graziano lembrou que a FAO já está ajudando os países africanos a criar um fundo para receber contribuições da sociedade civil e do setor privado. “Um esforço similar poderia também existir no Oriente Médio”, afirmou.
Nesta sexta-feira mesmo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, por exemplo, que 49 empresas se comprometeram a investir US$ 3 bilhões no setor agrícola africano. A iniciativa faz parte da Nova Aliança para a Alimentação e a Segurança Nutricional do G8, grupo que reúne países ricos e a Rússia. A informação foi divulgada pelo Fórum Econômico Mundial, entidade que participa do projeto.
Durante a conferência da FAO, a Arábia Saudita, a Líbia e o Irã assinaram acordos com a agência da ONU. A Arábia Saudita irá repassar US$ 66,7 milhões para que técnicos da entidade forneçam assistência técnica para 17 projetos em desenvolvimento no país entre 2012 e 2016. Pelo acordo, a instituição será parceira dos sauditas em projetos de desenvolvimento sustentável, saúde animal, recursos naturais e fortalecimento de instituições rurais. Os sauditas pretendem beneficiar os pequenos produtores e permitir que eles diversifiquem a produção de alimentos.
O acordo assinado com a Líbia prevê que o país repasse US$ 71 milhões à FAO para que os técnicos da instituição ajudem os líbios a promover segurança alimentar para a população e para que desenvolvam a agricultura local. O acordo assinado entre Graziano e o ministro da agricultura da Líbia, Sulaiman Abdelhamed Boukharruba, determina que a FAO irá cooperar no manejo de pesticidas, recursos naturais e saúde animal, entre outras áreas.
O acordo com o Irã prevê que o país persa envie seus especialistas em agricultura para ajudar os países pobres do eixo Sul-Sul a desenvolver projetos que aumentem a produtividade da sua lavoura. O escritório regional da FAO para o Oriente Médio é formado por Argélia, Bahrein, Egito, Irã, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Mauritânia, Marrocos, Omã, Catar, Arábia Saudita, Sudão, Síria, Tunísia, Emirados Árabes Unidos e Iêmen.

