São Paulo – Um grupo de oito profissionais árabes está recebendo treinamento agrícola da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A instituição de pesquisa leva adiante, desde o dia 18 deste mês, o primeiro curso para estrangeiros da sua unidade de Estudos e Capacitação, que foi inaugurada em maio, em Brasília, e vai funcionar como uma espécie de centro de treinamento nacional e internacional.
Neste primeiro curso, que vai até o dia 29, profissionais ligados à agricultura e pecuária de 25 países africanos participam, entre eles dois tunisianos, um egípcio, um marroquino, um comorense e três argelinos.
O programa faz parte do Diálogo Brasil-África para Segurança Alimentar, iniciativa dos governos das duas regiões para promover cooperação na produção de alimentos. Além dos árabes, também participam deste primeiro curso pessoas da Guiné Equatorial, Guiné Bissau, Angola, Senegal, Moçambique, Eritréia, Uganda, Benim, Mali, Gabão, entre outros.
Os estrangeiros passaram por uma primeira semana de capacitação teórica em Brasília e agora estão divididos em dois grupos, um dos quais continua em Brasília recebendo treinamento em tecnologias para produção de sementes na Unidade de Transferência de Tecnologia. O outro grupo está em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, na unidade Gado de Corte da Embrapa, sendo capacitado em manejo e recuperação de pastagens. Entre os árabes, os representantes da Tunísia, Egito e Marrocos estão em Campo Grande. Os das Ilhas Comores e Argélia estão em Brasília.
De acordo com o chefe-adjunto de capacitação da Embrapa Estudos e Capacitação, Paulo Eduardo Melo, os árabes que participam do treinamento têm demandas especialmente relacionadas à tolerância à seca. "Eles também se preocupam bastante com o aspecto econômico, com cálculo do custo da produção e investimentos econômicos necessário para uso de uma nova tecnologia", conta Melo. Os profissionais envolvidos no curso são agrônomos e veterinários de instituições públicas ou ministérios.
Segundo o chefe-adjunto, na área de pastagens, por exemplo, o Brasil tem uma variedade grande de leguminosas, cuja produção poderia ser testada na África. "Eles têm muito interesse em cooperar conosco", afirma. Com o treinamento, os representantes dos países africanos conheceram o que há no Brasil nas suas áreas de interesse e quem são as pessoas na Embrapa responsáveis por essas áreas. Dependerá deles, após o curso, o encaminhamento de pedidos de cooperação para implantação de tecnologias em seus países.

