São Paulo – O Panorama Agrícola de 2011 a 2020, divulgado nesta sexta-feira (17), em Paris, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), destaca que as importações de produtos agropecuários deverão crescer rapidamente nos países do Oriente Médio e Norte da África.
Ao falar das tendências do comércio internacional de alimentos ao longo da década, o documento informa que, do lado dos mercados importadores, a região, que inclui todos os países árabes, deve ampliar suas compras de forma significativa por causa do aumento da renda oriunda do petróleo.
O relatório afirma que a região vai liderar a importação de carnes no período, especialmente de frango; terá forte aumento na demanda por produtos lácteos, por trigo e continuará a ser importante importadora de açúcar, especialmente da mercadoria bruta para ser processada em refinarias locais.
Nesse sentido, o levantamento ressalta que as condições políticas e econômicas do mundo árabe serão de grande importância para o comércio agropecuário, sendo que a variação do preço do petróleo e os resultados das revoltas populares, que se espalharam pela região este ano, podem ter forte impacto no setor.
Aliás, logo no início o documento destaca que o período analisado começa sob os efeitos da situação política instável no Oriente Médio, das cotações dos hidrocarbonetos em alta e do terremoto e tsunami que atingiram o Japão.
Brasil
Pela lógica, as oscilações dos mercados árabes trarão ganhos ou prejuízos para o Brasil, que é citado várias vezes ao longo do relatório como um dos principais protagonistas da produção agropecuária nos próximos anos. O país já é grande fornecedor de alimentos para o mundo árabe.
“Maiores exportações do Brasil são esperadas em virtualmente todas as suas principais commodities”, diz a pesquisa, acrescentando, porém, que as vendas externas do País deverão crescer menos do que na última década, em função da valorização do real frente ao dólar, o que torna os produtos brasileiros mais caros no exterior.
O levantamento ressalta as perspectivas de aumento da demanda e da produção de diversos produtos que têm forte presença no Brasil, como as oleaginosas, especialmente a soja, açúcar, carnes, lácteos e biocombustíveis.
No caso das carnes, cujas exportações mundiais devem crescer 15% ao longo da década, a maior parte desse avanço virá do continente americano, sendo que o Brasil já é o principal exportador do setor, com uma participação de 20% a 25% do mercado mundial. Além da proteína animal, o relatório informa que o País vai crescer na produção e exportação de oleaginosas e cereais.
No ramo sucroalcooleiro, o Brasil deve continuar a dominar o mercado internacional de açúcar, com uma fatia de 50%; e, na área do etanol, o País responderá por 33% da produção mundial em 2020, mas ainda atrás dos Estados Unidos, como é hoje. No caso do biodiesel de soja, a estimativa é que a produção brasileira cresça em 3 bilhões de litros ao longo da década.

