Campina Grande – Os países árabes poderão conhecer mais de perto, em março do ano que vem, a realidade do semiárido brasileiro, região onde predomina o bioma da caatinga, com período longo de seca e curto de chuvas. O Instituto Nacional do Semiárido (Insa), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, está preparando um curso para mostrar a lideranças do mundo árabe experiências brasileiras de boa convivência com a região de clima seco.
A informação é do diretor do Insa, Roberto Germano Costa, que está à frente de uma oficina sobre o semiárido, para jornalistas, nesta segunda-feira (13) e terça-feira (14), em Campina Grande, na Paraíba. De acordo com Costa, o Insa, juntamente com o Instituto Nacional das Águas (ANA), está estudando, no momento, as experiências que vai mostrar para os árabes em março. O curso deverá ser ministrado em Campina Grande, onde está sendo construída a sede do Insa.
Assim como o Brasil tem regiões de semiárido, o mundo árabe também tem regiões áridas e vem fazendo esforços para desenvolver, nestes terrenos poucos propícios, a agricultura e a pecuária. O curso em Campina Grande ocorrerá dentro do âmbito das ações da Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos (Aspa), reuniões de chefes de estado das duas regiões que têm por objetivo aproximar, em todas as esferas, sul-americanos e países árabes.
O Insa foi escolhido pela Aspa, durante a última Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento de Regiões Semiáridas (Icid), que aconteceu em agosto, na cidade de Fortaleza, no Ceará, para ser o interlocutor para assuntos clima árido e semiárido com o mundo árabe. "Estamos elaborando um curso de formação para apresentar experiências inovadoras em regiões áridas e semiáridas", explica Germano.
O Insa é uma unidade de pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia e trata de todas as questões envolvendo semiárido, desde a convivência da agricultura e pecuária com a região até o desenvolvimento de outras atividades, como artesanato e educação.
No Brasil, o clima semiárido abrange dez estados, alguns em menor e outros em maior proporção: Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Maranhão, num total de 1.162 municípios. A grande característica da região é o bioma da caatinga, que atinge 800 mil quilômetros quadrados e só existe no Brasil. No mundo, os climas árido e semiárido respondem por 42% da área total e abrigam mais de dois bilhões de habitantes, segundo dados fornecidos por Germano.
O Insa, que foi criado em 2004, mas passou a funcionar efetivamente em 2007, quando ganhou seu primeiro diretor, defende a convivência harmônica da população local com o semiárido. "A caatinga é caracterizada por estação de seca longa e estação chuvosa extremamente curta. Não há como modificar essa realidade, você tem que conviver com ela e tirar proveito", afirma o diretor do Insa. O instituto trabalha neste sentido, de levar para a população local maneiras de melhor conviver com o clima de chuvas curtas.
O Insa também vem trabalhando para mudar o estereótipo que se tem da região, normalmente lembrada pela pobreza e pela seca. "Temos miséria aqui, como há em outras regiões, mas também temos bolsões de riqueza", afirmou Germano durante oficina para jornalistas. Para melhor mostrar a realidade do semiárido, o Insa criou uma agência de notícias, que será funcionará a partir desta terça-feira (14), chamada Agência de Notícias do Semiárido Brasileiro (SAB). A ideia é subsidiar jornalistas e pesquisadores com informações sobre a região.
*A jornalista viajou a convite do Insa

