Isaura Daniel
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São Paulo – Os países árabes vão importar US$ 632 bilhões em produtos e serviços neste ano, de acordo com um relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O valor significa um acréscimo de 22,4% sobre o que eles importaram no ano passado, que foi US$ 516,6 bilhões, e inclui as compras externas de todos os países árabes, exceto Palestina, Ilhas Comores e Somália. No total, os árabes vão comprar US$ 115,9 bilhões a mais neste ano. "Onde há petróleo, o aumento de importações será maior", diz o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby.
O primeiro maior importador da região deste ano, será, como já foi no ano passado, os Emirados Árabes Unidos. O país vai adquirir US$ 149,1 bilhões contra US$ 123,6 bilhões em 2006. Os Emirados têm no petróleo a base da sua indústria. Eles também produzem, em grande escala, alumínio. Os produtores de petróleo, segundo o FMI, vão responder por 78% das aquisições da região no exterior. "A maior parte deste aumento de importações se refere a compras para obras de infra-estrutura e para melhoria da qualidade de vida", diz Alaby. As nações produtoras de petróleo querem produtos de padrão cada vez maior.
A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo, ocupa o segundo lugar na lista de importadores da região. Os sauditas vão comprar no exterior US$ 142,9 bilhões em mercadorias e serviços, com aumento de 19% sobre o valor de 2006, que foi US$ 120,2 bilhões. A Arábia Saudita, lembra Alaby, está construindo distritos industriais e adquirindo máquinas para equipá-los. O maior aumento das importações, em percentual, será do Djibuti, país africano: 75%. Os valores, porém, não são muito significativos: o Djibuti consumirá US$ 700 milhões em importados contra US$ 400 milhões em 2006.
Já o segundo maior aumento virá da Líbia, que está aumentando sua produção petrolífera, e que vai gastar US$ 24,9 bilhões com produtos e serviços de fora do país neste ano contra US$ 15,6 bilhões no ano passado, com crescimento de 60%. O terceiro maior aumento, em percentual, será a Argélia, grande produtora de gás na região. A Argélia vai importar US$ 36,8 bilhões, com acréscimo de 40% sobre os US$ 26,3 bilhões no ano passado.
O mesmo relatório do FMI mostra o quanto cada um destes países vai produzir e exportar em petróleo bruto. Os Emirados, segundo o instituto, produzirão 2,9 milhões de barris por dia, os sauditas 9,3 milhões, a Argélia 1,6 milhão, e a Líbia 1,9 milhão barris diários. Os sauditas e argelinos manterão a produção de petróleo nos mesmos volumes de 2006, segundo o FMI, mas os Emirados aumentarão em 3,5% e a Líbia em 36%.
De acordo com Alaby, os números reforçam a necessidade de o Brasil buscar acordos comerciais com os países árabes. O Mercosul está negociando um tratado de comércio com Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco formado por Emirados, Arábia Saudita, Omã, Catar, Kuwait e Bahrein, e também com o Egito e o Marrocos. Atualmente Europa, Estados Unidos e China são os grandes fornecedores dos países árabes, lembra o secretário-geral da Câmara Árabe. O Brasil pode, segundo ele, disputar este mercado com, por exemplo, a oferta de produtos e serviços para infra-estrutura. "Alguém vai ficar com esse aumento de importações", lembra Alaby.

