Riad – A Arábia Saudita pretende aplicar cerca de US$ 800 bilhões, entre investimentos públicos e privados, para desenvolver e diversificar a economia nacional até 2020. Uma das metas é colocar, já em 2010, o país entre as 10 nações mais competitivas do mundo em termos de ambiente para os negócios. A informação foi dada neste sábado (16) pelo diretor-geral de promoção de investimentos e operações internacionais da Saudi Arabian General Investment Authority (Sagia), Ahmed Osilan, durante uma apresentação para empresários que acompanham a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Riad.
O plano envolve aportes pesados em infraestrutura, apoio a setores da indústria onde o país tem vantagens competitivas, o desenvolvimento de uma sociedade baseada no conhecimento e a construção de quatro “cidades econômicas”, complexos urbanos industriais, comerciais, residenciais e turísticos de grande porte.
“Toda vez que nós cavamos para achar água, encontramos petróleo”, disse Osilan, referindo-se ao fato de que o país detém cerca de 25% das reservas mundiais da commodity, mas apenas uma pequena fatia do mercado global de petroquímicos.
Nesse sentido, os sauditas querem agregar valor ao produto, incentivando a produção de plásticos e petroquímicos e de setores que usam energia de modo intensivo, como a siderurgia e a produção de alumínio. Essas indústrias são um dos três focos do programa.
O segundo é o ramo de logística e transporte. De acordo com Osilan, 30% do transporte marítimo do mundo passa pelo Mar Vermelho, que banha a costa oeste da Arábia Saudita. Por meio de investimentos em portos, aeroportos, ferrovias e rodovias, o país pretende oferecer transporte mais rápido para o fluxo de mercadorias entre o Ocidente e o Oriente.
O terceiro foco é o desenvolvimento de atividades que produzam conhecimento, como serviços médicos, ciência, educação e tecnologias da informação e da comunicação. Osilan lembrou que faz tempo uma parte das famílias sauditas manda seus filhos estudar no exterior. “Mas até agora nós não conseguimos alavancar esse conhecimento”, declarou. Nessa linha, ele destacou que este ano o governo destinou 25% do Orçamento do país para a educação.
Cidades
Dentro dessa estratégia, a Arábia Saudita lançou o projeto das quatro “cidades econômicas”, sendo que a principal delas será a King Abdullah Economic City (Kaec), em construção na costa do Mar Vermelho, próxima a Jeddah, principal pólo econômico local. Quando totalmente pronta, em 2020, ela será a terceira maior cidade do país, atrás apenas de Riad e Jeddah. “Será do tamanho de Washington D.C.”, disse ele, referindo-se à capital dos Estados Unidos.
Parte da cidade já poderá ser habitada a partir de 09 de setembro deste ano, e ele próprio pretende se mudar com a família para o local. Um dos objetivos dos empreendimentos é “criar equilíbrio” entre as diferentes regiões do país em termos econômicos e populacionais.
Nesse sentido, enquanto a Kaec está sendo instalada na região oeste, Prince AbdulAziz bin Mousaed Economic City (Hail) será construída na região central, a Knowledge Economic City (KEC) na periferia da cidade sagrada de Medina e a Jazan Economic City (JEC) no sul.
Enquanto a Kaec será um pólo multissetorial, com indústrias, serviços financeiros, resorts e um porto, Hail será voltada para o ramo de logística e transportes, KEC para a produção de conhecimento e JEC para a indústria pesada, como produção de alumínio, siderurgia, indústria automotivo e refino de petróleo.
Todas elas, com exceção do pólo em Medina, serão construídas onde antes não havia nada e, segundo Osilan, deverão se desenvolver totalmente com investimentos privados. Quando prontas, de acordo com ele, deverão agregar mais US$ 150 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, gerar 1,3 milhão de empregos e concentrar 4,5 milhões de habitantes.
Uma característica comum entre elas será a estrutura de moradia e lazer, para fixar as pessoas na região onde elas trabalham. “Elas terão muitos jovens com dinheiro no bolso e, portanto, grande consumo per capita”, disse Osilan, incitando os empresários brasileiros a investir em negócios nos projetos. Pela legislação atual da Arábia Saudita, os empresários estrangeiros podem manter 100% do controle de suas companhias.

