São Paulo – A Arábia Saudita precisa conter os gastos para evitar que a inflação saia do controle, recomendou o Fundo Monetário Internacional (FMI) após avaliar as contas do país no começo de julho. Por outro lado, de acordo com um relatório divulgado pela instituição nesta terça-feira (7), os diretores do Fundo elogiaram a condução da política econômica do país durante a crise internacional que afetou principalmente a zona do euro e durante os confrontos entre rebeldes e governos nos vizinhos árabes.
As informações preliminares da economia saudita referentes a 2011 indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 7,1% e deverá aumentar 6% neste ano. O PIB do setor não-petrolífero cresceu mais do que o de derivados de petróleo em 2011: 8%.
O desempenho da economia saudita em 2011 foi impulsionado pelo aumento dos gastos promovido pelo governo. A produção de petróleo também aumentou para suprir a demanda e evitar um aumento de preços da commodity. Outros países produtores, como a Líbia, tiveram sua produção interrompida durante as manifestações da Primavera Árabe.
O governo saudita também adotou, em 2011, medidas para conter as pressões sociais dentro do país. Algumas destas medidas foram a construção de casas, redução do desemprego e financiamento para pequenas e médias empresas. Essas ações, indica o FMI, resultaram em um aumento de 20% nos gastos do governo. A inflação ficou em 5%, menor do que os 5,4% de 2010. A previsão para 2012 é de aumento de 5,2% nos preços. Para conter o aumento da inflação, os diretores do Fundo recomendaram que as autoridades contenham os gastos.
"Os diretores saudaram os esforços das autoridades em estabilizar os mercados de petróleo e observaram os efeitos positivos para a região a partir do alto crescimento da Arábia Saudita, do gasto público e da expansão da assistência financeira. As elevadas receitas provenientes do petróleo fortaleceram os saldos fiscais e externos e impulsionaram os gastos sociais e a economia [de dinheiro] para as futuras gerações. A previsão para o médio-prazo é amplamente favorável, embora as ameaças geopolíticas e o preço do petróleo continuem a ser fontes de volatilidade", observaram os diretores do FMI.

